Seleção muda vida de cruzeirenses
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 14 (AE) - O lateral Evanílson, 23 anos, e o zagueiro João Carlos, de 26, jogadores do Cruzeiro convocados para a seleção brasileira, na disputa da Copa América
engrossaram o rol de atletas, revelados pelo clube mineiro, que acabaram ganhando projeção nacional e internacional.
Como aconteceu com os atacantes Ronaldinho e Fábio Júnior, cujos passes não custaram praticamente nada à equipe de Belo Horizonte - e foram negociados por cifras milionárias, ao ir para a Europa - os dois recém-convocados chegaram à Toca da Raposa com passes desvalorizados. Em pouco tempo, no entanto, se transformaram em estrelas e o clube já contabiliza o retorno financeiro.
Mineiro de Sete Lagoas, João Carlos foi até pedreiro antes de se tornar jogador profissional, pelo Democrata, time de sua terra natal. Transferiu-se para o Cruzeiro sem ônus para o clube. No ano passado, foi reserva da dupla titular Marcelo Djian-Wilson Gottardo, embora tenha sido usado com certa frequência pelo técnico Levir Culpi. Na atual temporada, depois da saída de Gottardo, ganhou a posição em definitivo.
"É um atleta com uma capacidade física excelente e muitas qualidades técnicas, o que carateriza os bons zagueiros"
elogiou Culpi. Chamado por Wanderlei Luxemburgo para os amistosos da seleção, este ano, João Carlos, cujo passe não está fixado, mas "vale muito", segundo dirigentes cruzeirenses, tinha certeza de que iria integrar o time na Copa América. "Eu vinha trabalhando para conseguir esta oportunidade e fui recompensado pelo esforço", afirmou o jogador.
EVANILSON - O lateral Evanílson, convocado junto com João Carlos - e ainda os meias cruzeirenses Djair e Marcos Paulo - para os dois últimos compromissos da seleção, contra a Holanda
recebeu emocionado a notícia de que estava na lista da Copa América. Na manhã de hoje, Evanilson aproveitou a folga nos treinamentos - e o descanso após o empate de 1 a 1 entre Cruzeiro e América, na véspera - para assistir pela TV, em casa, cercado pela família, à divulgação dos nomes.
"Acordei cedinho e até fiz o café", brincou o atleta, sem esconder a ansiedade. Quando veio a confirmação de que estava relacionado, não parou de sorrir. "Agora, preciso ter personalidade e tranquilidade para mostrar meu potencial." Nascido em Diamantina (MG), Evanílson, considerado um jogador "bastante veloz" e com um grande potencial técnico "a ser desenvolvido", nas palavras de Culpi, chegou ao Cruzeiro em fevereiro deste ano.
Ele veio do América Mineiro, no qual se profissionalizou em 1996 e, por muito tempo, foi o reserva. O passe custou R$ 550 mil, mas, segundo o diretor de futebol do Cruzeiro, Eduardo Maluf, a convocação para a Copa América e as boas apresentações do atleta contra a Holanda já representaram um ganho financeiro para o Cruzeiro. "Hoje, ele passa a figurar entre os jogadores selecionáveis do País e, em razão disso, seu passe vale muito mais do que o Cruzeiro pagou ao América", explicou.


