Atenas - A seleção brasileira masculina de vôlei chegou a Atenas sentindo o peso do favoritismo após ter conquistado o tetracampeonato da Liga Mundial. ''Nós é que vamos criando esses saquinhos de cimento. Agora temos que aguentar o peso'', diz o levantador Ricardinho, referindo-se aos títulos conquistados nos últimos três anos e meio de trabalho com o técnico Bernardinho.
''Vamos dando nome a esses saquinhos. É Liga Mundial, bi, tri, Copa do Mundo. Agora não tem como fugir disso. É uma tarefa que temos que cumprir'', completa Ricardinho.
Segundo o técnico Bernardinho, o Brasil chega como favorito, mas precisa ficar muito atento a possíveis ''tropeços'' que pode enfrentar no caminho. ''Se jogarmos 100% é difícil de sermos batidos, mas não é impossível'', diz. ''Temos algumas seleções aqui que não têm tradição, mas que podem tranquilamente derrubar alguém. Se não jogarmos bem, vamos acabar pagando por isso.''
Já na primeira partida, o Brasil enfrenta a Austrália domingo, às 10 horas (de Brasília) , um dos adversários apontados como perigosos pelo técnico brasileiro. ''A Austrália não tem tradição, mas vem fazendo um trabalho sólido o que a torna um adversário perigoso.'' Também na primeira fase, enfrenta Itália, Holanda, Rússia e Estados Unidos.
''Não jogamos contra a Rússia há uns dois anos. Também temos que estudar muito a equipe para podermos fazer uma boa partida'', explica o treinador.
Embora o time de Bernardinho já esteja acostumado a enfrentar grandes adversários nos principais campeonatos de nível mundial, a Olimpíada anda mexendo com alguns jogadores.
Ricardinho confessa que não conseguiu dormir direito na primeira noite. ''Chegamos no final da noite de terça-feira e só consegui dormir por volta das 3 horas da manhã. Estava muito agitado. Não só pelos jogos, mas pelo tamanho de tudo isso aqui. Estou muito encantado. Este já é um sonho realizado. Agora só falta a medalha olímpica'', conta.
Serginho, natural de Diamante do Norte (83 km a noroeste de Paranavaí), concorda com o companheiro de equipe. ''Rola uma ansiedade. É natural. É uma competição mágica. É um sonho para qualquer atleta.''
Mesmo o atacante londrinense Giba, que está na sua segunda Olimpíada participou dos Jogos de Sydney, em 2000 se diz emocionado. ''Quando você entra na vila olímpica e vê tudo aquilo, as bandeiras, o restaurante, o quarto, parece que é a primeira vez.''
Elogio O levantador Ricardinho, que mora em Maringá, ficou surpreso ao receber elogios do técnico da equipe norte-americana, Doug Hill. ''Achei interessante. É um elogio fenomenal vindo dele. Uma pessoa que acompanhei quando era garoto, conquistando tudo que podia conquistar'', diz. ''Mas sou meio maluco, não me apego muito a isso. Acho legal pela minha família. É a primeira coisa que penso. É bom também porque realmente estou vendo minha evolução.''

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