A preparação da seleção brasileira para a Copa das Confederações, que ocorre entre 30 de maio e 10 de junho, no Japão e na Coréia do Sul, é coerente com o torneio: sem relevância técnica, sem atrativo e dependente da política.
Desfalcada de seus principais jogadores, impedidos de serem convocados por um acordo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) com vários clubes, a equipe de Emerson Leão está desde terça-feira em Tóquio.
Na madrugada de amanhã, às 5h (horário de Brasília, sem TV para o Brasil), a seleção faz amistoso com o Tokyo Verdy, clube poderoso nos bastidores mas que tem sido um fiasco em campo – hoje é o último colocado da J-League, a liga japonesa profissional de futebol, criada em 1993.
Um dos pioneiros do profissionalismo no país, o Verdy foi treinado por Leão em 1995, quando ainda não havia se mudado de Kawasaki para Tóquio, mas o técnico disse não ter tido nenhuma interferência na marcação do amistoso contra seu ex-clube.
Ao contrário, Leão afirmou que o jogo foi programado à sua revelia. ‘‘Fiquei sabendo depois de marcado. Não tenho absolutamente nada a ver com esse Verdy. O que conheci era outro.’’ O amistoso foi comprado pela ONG japonesa Global Sports Alliance, que define como seus objetivos ‘‘a conscientização e ação sobre o meio ambiente mundial através de atividades esportivas’’ e batizou publicitariamente o confronto de ‘‘O Jogo do Sonho para as Futuras Gerações’’.
A comissão técnica da seleção elogiou a ‘‘motivação ecológica’’ da partida, mas Leão, mais uma vez, mostrou desconforto com a sua falta de autonomia.
‘‘Não é uma situação ideal a seleção enfrentar um clube. Nunca nós viríamos ao Japão só para jogar contra o Verdy, mas, como preparação para um torneio, passa a ser válido’’, disse o treinador.
O motivo de escolher como adversário o último colocado da liga japonesa (que ainda terá sábado o desfalque de seus dois principais jogadores, o zagueiro Nakazawa e o meia Miura) transcende o futebol e a ecologia.

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