Rio de Janeiro - Daqui a menos de dois meses, o Brasil chegará à Alemanha como favorito para conquistar seu sexto título mundial. E pela primeira vez numa Copa, a seleção não terá jogadores que atuam em clubes do Rio. A não ser que o técnico Carlos Alberto Parreira faça alguma surpresa de última hora. É mais um sinal da decadência do futebol carioca. Apesar de tudo, o Rio ainda é o estado que mais jogadores cedeu para o Brasil participar de todas as 18 Copas do Mundo.
Dos 310 atletas que já foram chamados para defender a seleção em Mundiais, 153 vieram de clubes cariocas. São Paulo vem em segundo, com 120. Mas os paulistas têm chance de aumentar esta marca na Alemanha. O goleiro Marcos (Palmeiras), o meia Ricardinho e o lateral Gustavo Nery, ambos do Corinthians, estão bem cotados com Parreira.
Com 46 convocações, o Botafogo é o clube que mais cedeu jogadores para a seleção disputar Copas. Supera o São Paulo por sete jogadores. Os anos 30 foram decisivos para a supremacia alvinegra. Nos três Mundiais do período 30, 34 e 38 o Botafogo teve 18 convocados, sendo que nove apenas em 34. Já o São Paulo só passou a ceder jogadores a partir da Copa de 1950.
''A história do Botafogo sempre esteve ligada à da seleção. Esta relação esfriou a partir do momento em que o clube abandonou as divisões de base. Em 1970, tínhamos eu, Roberto Miranda e Paulo César, além do Rogério, que foi cortado em cima da hora. Todos formados em General Severiano'', lembra Jairzinho, que disputou 15 jogos de Copa, em três edições.
A última vez que a seleção foi a um Mundial com jogadores do Botafogo foi em 1998, com Gonçalves e Bebeto. Em 2002, o clube passou em branco, assim como em 1994. Em ambos o Brasil foi campeão.
O Santos, que também não tinha representantes no tetra e no penta, é o clube com mais jogadores campeões do mundo: 15. Só em 1962, cedeu sete atletas. Tiveram ainda três em 1958 e cinco em 1970.
''Na minha época, o ambiente da seleção era muito bom. Como eram quase todos jogadores nível A, havia um respeito enorme. Na Copa de 70, por exemplo, Santos e Botafogo tinham juntos quase um time na seleção. Isso facilitava o entrosamento. O Zagallo conhecia o caráter do jogadores'', lembra Jairzinho.
Consagrado como o Furacão da Copa em 1970, o ex-atacante do Botafogo é o único jogador até hoje a marcar gols em todos os jogos de uma edição: sete em seis jogos. ''Também sou o único a ter feito um gol de 80 metros. Na semifinal de 70, contra o Uruguai, roubei uma bola na entrada da nossa área, arranquei com ela, toquei para o Pelé, que passou para o Tostão. Ele me lançou e toquei rasteiro, já dentro da área uruguaia — recorda o ex-craque.
Na lista dos jogadores que já participaram de Copa, algumas curiosidades. Três clubes Atlético-PR (Kléberson, 2002), Guarani (Júlio César, 1986) e Portuguesa Santista (Argemiro, 1938) cederam apenas um jogador. Em 1930, o Ypiranga, clube extinto de Niterói, teve dois jogadores na seleção. Mas isso é história. Hoje, quem comanda a lista de convocados são os grandes clubes europeus. Daqui a pouco não sobra mais espaço para os times brasileiros.

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