Rio, 01 (A1) - Três dos únicos seis adversários confirmados que o Brasil enfrentará nos 17 amistosos programados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para este ano vestem a mesma camisa: a da Nike. Holanda, Coréia do Sul e Barcelona são financiadas pelo mesmo patrocinador da seleção brasileira, que impõe, segundo o contrato assinado com a CBF, a presença de pelo menos oito jogadores do time titular nestes amistosos.
O técnico Wanderley Luxemburgo já confirmou que usará força máxima nas partidas contra Holanda, Coréia e Barcelona. Também planeja jogar com o time principal contra o Japão - que usa uniformes da Lotto, mas é um dos mercados de maior interesse da Nike. A patrocinadora da seleção exige que qualquer amistoso realizado em território japonês tenha a sua aprovação. Neste caso, gastaria quatro dos sete amistosos a que tem direito por ano de convocar os jogadores que atuam em clubes do Exterior. Luxemburgo, porém, negou que as partidas tenham sido impostas pela Nike. "Não existe imposição, o que existe é conversa: não deixamos o patrocinador de lado, ao contrário, ele senta na mesa para nos ajudar", disse. "Discutimos como pessoas inteligentes: se a Nike apresentar um adversário forte, numa data viável, e nós, da comissão técnica, acharmos que o amistoso atende às nossas necessidades, então vai prevalecer a nossa opinião."
O treinador admitiu que era contrário ao amistoso com o Barcelona, pois acha que a seleção não deve se expor ao desgaste de enfrentar times que treinam quase diariamente e estão mais bem entrosados. No início de janeiro, garantiu que este seria o último amistoso contra clubes, mas hoje, voltou atrás. "Não quero ser definitivo: dependendo das nossas necessidades e do estágio de preparação, poderemos jogar de novo contra clubes, até mesmo brasileiros."
Luxemburgo lembrou que o amistoso em Barcelona, comemorativo do centenário do clube, estava marcado antes de assumir o cargo na CBF, assim como os jogos com Japão e Coréia - país pelo qual o presidente Ricardo Teixeira fez campanha para sede da Copa de 2002. Ele ainda não tem certeza se poderá contar com Rivaldo, craque da equipe catalã, no amistoso na Espanha. "Tomara que ele jogue do nosso lado."
Sobre os três amistosos com a Holanda, Luxemburgo rebateu que fossem de mero interesse comercial. "Antes, criticavam a seleção se ela jogava com a Venezuela, mas agora, vão criticá-la por jogar contra a Holanda?", perguntou. "É um dos mais fortes adversários que poderíamos enfrentar."
Entre os adversários ainda a definir, pelo menos um deles deverá ser uma das seleções patrocinadas pela Nike: a Nigéria. A multinacional financia ainda os times de futebol de Portugal, Rússia, Eslováquia e Estados Unidos. A Itália mudou de fornecedor este ano.

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