Seleção já não é a 'família' de Scolari
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sexta-feira, 09 de agosto de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Dois motivos levaram o técnico Luiz Felipe Scolari a anunciar sua saída do comando da seleção brasileira, após 423 dias de dúvidas, tensão e alegria: pressão da família e o desgaste natural que teria se permanecesse no cargo. Depois de conquistar o quinto título de Copa do Mundo para o Brasil, Scolari quer sossego. Foi o que deixou claro em entrevista hoje, após reunião com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.
O dirigente declarou que só vai definir quem será o novo treinador em 2003. Adiantou que o técnico da seleção principal não será o mesmo da equipe olímpica. Scolari, porém, ainda tem um jogo pela seleção, o da despedida: dia 21, contra o Paraguai, em Fortaleza.
A conversa com Teixeira foi num restaurante da Barra da Tijuca. Scolari agradeceu-lhe o apoio, mas entregou o cargo. ''Não sou mais o técnico da seleção'', disse Scolari à imprensa, depois de contar o teor do encontro com o presidente da CBF. ''Foi uma conversa de amigo, passei a ele algumas dificuldades e ouvi algo que me foi gratificante, um pedido de permanência.''
Felipão também vai cuidar de negócios. Virou palestrante concorrido. Tem vários convites para seminários: dois deles nos Emirados Árabes e na Polônia. Terá ainda mais tempo para contratos publicitários e assim tirar proveito do título inquestionável conquistado no Japão.
Scolari repetiu algumas vezes que a distância dos filhos (Leonardo e Fabrício) e de sua mulher (Olga) durante o período em que foi técnico da seleção, acabou sendo determinante na decisão de abandonar a seleção. ''Preciso me dedicar mais à família.'' Negou com ênfase que qualquer relação com salário tenha tido peso ná decisão. ''Só falamos (ele e Teixeira) sobre dinheiro uma única vez, nesse mais de um ano.''
O desgaste por que passou, com críticas e uma relação conturbada com a imprensa, foi outro aspecto que Scolari levou em consideração. Manifestou mais uma vez a vontade de trabalhar no futebol europeu, mas isso só poderá ocorrer a partir de 2003. Até o final do ano, não quer mais se envolver com trabalho de campo.
Até contou que recebera três propostas da Europa antes da final Copa do Mundo, sem dizer quais seriam as equipes. Scolari sabe que tem crédito na CBF e foi educado ao responder sobre a possibilidade de dirigir a seleção na Copa do Mundo de 2006. ''Depende de uma série de fatores, mas tem muita gente competente. Se vou voltar ou não, não sei.''
Orgulhoso pela conquista, ressaltou que as estatísticas de sua passagem pela seleção ''falam mais alto que qualquer coisa''. Num gesto de cordialidade, ofereceu o título a todos os jogadores convocados desde o Mundial de 1998 e aos outros técnicos que passaram recentemente pela seleção: Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Emerson Leão.
Antecedência O coordenador-técnico da seleção no Mundial 2002 e hoje treinador do Vasco, Antônio Lopes, destacou ontem que Scolari já o havia comunicado da saída da seleção antes mesmo de o Brasil conquistar o título. ''Nós tínhamos conversado depois da Copa e ele me disse que sairia.''


