comentou Sissi. "Preciso, no entanto, resolver minha situação com o São Paulo antes de pensar em qualquer coisa". A seleção brasileira volta a se reunir em setembro para disputar a US Cup, novamente nos Estados Unidos. O torneio terá a participação de Brasil, Noruega, Suécia e Estados Unidos. "Estas competições são fundamentais para dar mais experiência à equipe", destacou Wilsinho, que vai se reunir nos próximos dias com os dirigentes da Portuguesa para decidir se continua a serviço do clube e da seleção, ou se vai trabalhar exclusivamente para a CBF.Por Paulo Guilherme São Paulo, 12 (AE) - Nos Estados Unidos, elas acostumaram-se a jogar em casa cheia, serem assediadas pela imprensa, reconhecidas pelos torcedores e sentiram o gosto de uma vida de ídolo. A volta ao Brasil trouxe às jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol o reencontro com outra realidade. A recepção não teve a mesma proporção que a conquista do inédito terceiro lugar em uma Copa do Mundo. Apesar disso, as brasileiras mostraram com orgulho a medalha de bronze conquistada no Mundial e prometeram ainda mais na Olimpíada de Sydney. "Mostramos ao mundo que apesar de todas as dificuldades temos todas as condições de brigar com as principais seleções do mundo por uma medalha olímpica", afirmou a meia Sissi, artilheira do Mundial ao lado da chinesa Sun Wen, com sete gols marcados. Nos Jogos de Atlanta, em 1996, o Brasil ficou em quarto lugar atrás de Estados Unidos, Noruega e China. Apenas parentes e amigos estiveram no Aeroporto de Cumbica para recebê-las. A maioria das pessoas que aguardavam outros vôos demoraram para reconhecer as atletas. "Foi uma pena que nenhuma tevê transmitiu o Mundial, se não a repercussão aqui no Brasil seria muito maior", lamentou o técnico Wilsinho Riça. A TV Globo comprou os direitos de transmissão do evento, mas optou por não exibir os jogos. "Essa opção por não mostrar o Mundial representou um atraso muito grande para o futebol feminino no Brasil", acrescentou Wilsinho. A grande esperança das jogadoras é que o sucesso conquistado no Mundial possa atrair a atenção de equipes dos Estados Unidos, onde o futebol feminino é levado a sério. "Alguns empresários brasileiros que moram lá pegaram nome e endereço de todas nós e prometeram tentar arranjar alguma coisa para a gente", diz a volante Cidinha, considerada pelo técnico Wilsinho a melhor jogadora do Brasil na competição. "As nossas jogadoras provaram têm condições de atuar nos melhores times do mundo", disse Wilsinho. Cidinha e Sissi esperam, esta semana, resolver uma questão que está tirando o sono das duas. Elas têm contrato com o São Paulo que, no entanto, não tem interesse que elas permaneçam na equipe para a disputa das próximas competições, o Paulistana (campeonato paulista) e o Brasileiro. Elas já acertaram com o Palmeiras, mas o São Paulo recusa-se a dar a liberação das duas. O clube do Morumbi quer R$ 10 mil para liberar Sissi e R$ 2,5 mil por Cidinha. "Isso é um absurdo, o futebol feminino não é profissional e por isso não podem cobrar nada", reclamou Cidinha. Sissi foi a única brasileira incluída entre as 16 melhores jogadoras da Copa. A jogadora de 32 anos, admite deixar o Brasil para jogar nos Estados Unidos se aparecer uma oferta tentadora. "Se tiver oportunidade de jogar lá vai ser muito bom para mim"

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