Seleção feminina enfrenta o entusiasmo francês
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sábado, 22 de junho de 2019
Ana Carolina Silva/Folhapress 

São Paulo - O Brasil terá missão extremamente complicada domingo (23), às 16 horas (de Brasília), no duelo de oitavas de final da Copa do Mundo feminina. A atual edição do torneio acontece justamente na França, e a adversária deve ter a grande maioria de torcedores no estádio. E os franceses realmente abraçaram a seleção anfitriã.
No dia a dia, não há um “clima de Copa” generalizado pelas ruas das cidades-sedes, mas a coisa muda de figura quando a França joga. As “Bleues”, como são chamadas as jogadoras da equipe, atraíram grande público aos estádios nas três partidas da fase de grupos: 45.261 em Paris contra a Coreia do Sul (com capacidade para 48 mil), 34.872 contra a Noruega em Nice (o limite era 35 mil) e 28.267 pessoas viram a vitória sobre a Nigéria em Rennes (de um total de 29 mil lugares disponíveis).
A rivalidade de Brasil x França no futebol masculino será transferida para o Mundial feminino e, a expectativa local é de que uma massa azul, vermelha e branca “invada” o Stade Océane no domingo. Para efeitos de comparação, os torcedores brasileiros já não foram maioria numérica ou sonora no jogo contra a seleção italiana; agora, isso deve se intensificar.
A seleção da casa conquistou a população francesa mais do que a Copa do Mundo em si. Há poucas propagandas relacionadas aos outros países participantes, mas é possível notar diversos cartazes com os rostos das atletas da França. O fato de que a TV aberta do País só exibe os jogos da seleção francesa também ajuda.
Motorista de Uber em Lille, o francês Morad explicou sua relação com o Mundial ao fazer um comentário curioso durante conversa com a reportagem. “Eu tenho visto os jogos da Copa do Mundo com a minha mulher. Acho o futebol feminino mais técnico, entende? O futebol dos homens é mais físico. Eu não gosto. E as mulheres simulam menos do que eles, se jogam menos. O Neymar é um exemplo disso”, disse o rapaz, que ficou empolgado ao descobrir que o local onde buscou esta repórter era o centro de treinamento da seleção brasileira em Lille.
O desgaste com Neymar, que tem sua saída do Paris Saint-Germain especulada pela imprensa, acaba se misturando ao carinho recém-desenvolvido pelo time feminino da França. Desde a abertura da Copa das mulheres, a equipe masculina do País disputou duas partidas de Eliminatórias da Euro e foi ofuscada - e o fato de que as rivais Turquia e Andorra eram pouco expressivas não ajudou.


