São Paulo - Faltam sete meses para o Mundial feminino, na República Checa, e o Brasil ainda não tem técnico. E a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) não parece preocupada em anunciar logo o nome do substituto de Paulo Bassul - o espanhol Carlos Colinas é o mais cotado.

Quem conhece muito o assunto diz que essa demora pode atrapalhar bastante a seleção no torneio. É o caso de Paula, uma das maiores jogadoras da história do basquete brasileiro. Uma frase dela resume a situação da equipe: ''Nenhum time se prepara para um Mundial no ano da competição'', comentou Paula, lembrando que a falta de organização também atrapalhou a preparação brasileira para o Mundial de 1994, vencido pela seleção. Mas, naquela ocasião, havia uma diferença: ''Nossa equipe era talentosa. Isso pesou''.

Irmã de Paula, e também ex-jogadora da seleção, a hoje treinadora Branca é ainda mais dura nas críticas à CBB, cujo departamento feminino é comandado por Hortência, companheira das duas por muitos anos no time nacional. ''Pega mal essa demora. Fica com cara de desorganização, não sei qual é a jogada. Talvez seja para o basquete ficar gerando notícia, não sei''.

Hortência, no entanto, jura que a demora não vai afetar o desempenho do Brasil. ''A seleção só vai começar a treinar no fim de junho. E não vejo motivo para desespero. O planejamento é feito pelo departamento técnico, não pelo treinador''.

O Brasil vai estrear no Mundial no dia 23 de setembro, contra a Coreia do Sul, e o novo treinador terá três meses com o elenco antes do torneio. Branca acredita que o período é suficiente, desde que o treinador já esteja bastante familiarizado com as jogadoras. ''Antes (dos treinos) seria preciso conhecer as meninas, entender cada uma... Não sei se o novo treinador terá condições de fazer isso'', opinou Branca, treinadora do Americana no último Nacional, mas desempregada há seis meses.

Convocação antecipada

Um problema para o técnico que chegar será a falta de competições no Brasil. Caso o treinador seja mesmo um espanhol, a única vantagem será conhecer as jogadoras que atuam na Europa. Por isso as constantes viagens de Hortência para conversar com jogadoras como Iziane, Érika e Alessandra, em uma espécie de convocação prévia. A imposição de Iziane no elenco foi o principal motivo para a saída de Bassul da seleção.

mockup