Seleção feminina cai diante de Cuba...
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quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Agência Estado 
A seleção brasileira feminina caiu no Campeonato Mundial de Vôlei, no Japão. Perdeu a vaga na final ao ser derrotada por Cuba por 3 sets a 1 (parciais de 15/10, 4/15, 15/11 e 15/10), na semifinal disputada na madrugada de ontem. E piorou sua posição em relação ao último Mundial, em 1994, quando foi vice-campeã. Este ano, as brasileiras terão de contentar-se com a disputa do terceiro lugar, contra a Rússia, às 2 horas de hoje, deixando para Cuba e China a decisão do título, numa repetição da final da Olimpíada de Atlanta. As chinesas venceram as russas por 3 a 0 (15/4, 15/4 e 15/9) nas semifinais.
A derrota acabou com o sonho de uma geração. Muitas jogadoras, como Fernanda Venturini e Ana Moser, planejavam encerrar a carreira na seleção após o campeonato do Japão com um título mundial. Cuba, ao contrário, está perto do sonho de ser a única equipe a conquistar quatro títulos consecutivos na mesma década, algo inédito na história do vôlei. Venceu as Olimpíadas de Barcelona-92, Atlanta-96 e o Mundial do Brasil, em 94.
Ao avaliar a derrota de ontem, o técnico Bernardo Rezende, do Brasil, não teve dúvidas: a seleção perdeu por errar demais no saque e no bloqueio contra um adversário forte no ataque, como é Cuba. Não sacar bem nos deixou muito dependentes do nosso ataque, o que tornou o jogo mais difícil, observou. Quando erramos, ficamos sem opção. Não há dúvida de que o saque forçado seria a principal arma do Brasil.
Tanto é verdade que, quando a atacante Leila fez três pontos seguidos no segundo set, Ana Moser e Virna contribuíram com dois pontos de saque e o Brasil mandou no marcador. Foi o único set em que a seleção conseguiu controlar o jogo. Individualmente, os destaques do Brasil foram Ana Moser - que marcou 10 dos 46 pontos do time - e Leila, com 4 pontos de saque.
O técnico também atribuiu o resultado ao que chamou de falta de espírito de luta. Não lutamos tanto quanto deveríamos, lamentou. Contra Cuba, temos de ser 100% combativos e não mostramos isso no jogo, afirmou. Foi como se ganhar um set contra o time favorito fosse suficiente. O treinador ressaltou que a atuação do segundo set poderia ter-se repetido no restante do jogo. Mas admitiu que as brasileiras perderam a concentração a partir da terceira série e elogiou as cubanas, que têm o melhor conjunto do campeonato.
O técnico de Cuba, Antonio Perdomo, insistiu em dizer que a união de seu time, com todas as jogadoras no mesmo nível técnico, foi decisiva. O Brasil não tem mais do que duas jogadoras extraordinárias, Ana Moser e Leila, comentou. E nós temos o melhor no aspecto coletivo. Perdomo admitiu, no entanto, que as cubanas estavam tensas porque já haviam perdido das brasileiras duas vezes no Grand Prix da Ásia.
China x Rússia - As chinesas surpreenderam pela enorme facilidade com que passaram pelas russas, campeãs da Europa, por 3 sets a 0 (15/4, 15/4 e 15/9), em apenas 1h7min. As campeãs da Ásia, comandadas pela treinadora Lang Ping, uma das maiores jogadoras de todos os tempos, tinha enfrentado a Rússia duas vezes esse ano. Conhecia a estratégia adversária. Além disso, trazia na retrospectiva de resultados mais recentes a passagem à final da Olimpíada de Atlanta, diante da mesma seleção russa.
A Rússia, que só havia perdido um set em todo o Mundial, não conseguiu chegar nem perto de suas atuações anteriores, anotando apenas 17 pontos no jogo. A dupla de atacantes Evguenia Artamanova e Elena Godina, que chegou a marcar 34 pontos em partida do torneio, foi parada pelo bloquei chinês.
As chinesas, que já foram duas vezes campeãs mundiais, em 1982 e 1986, fiéis a sua efetividade na defesa, surpreenderam as russas ao acrescentar uma boa dose de imaginação no ataque.


