Agência Folha
De Vigo, Espanha
Em troca de uma cota de US$ 1 milhão e por uma questão diplomática, para não recusar convite da federação espanhola, a seleção brasileira principal se sujeitou a expor uma imagem de total desordem na Espanha, onde disputará um amistoso com a seleção local amanhã, às 17 horas, em Vigo.
O time, que viajou sem o técnico Wanderley Luxemburgo, substituído por seu assistente, Candinho, vai fazer o primeiro e único treino técnico e tático hoje, quando o grupo estará completo.
Além do fato de os goleiros da equipe (Marcos, do Palmeiras, e Zetti, do Santos) terem sido anunciados apenas no início da madrugada de ontem, os convocados que atuam na Itália e na França se apresentaram com atraso. Antonio Carlos, Cafu, Aldair, Marcos Assunção (todos da Roma), César (Paris Saint-Germain) e Anderson (Lyon) chegaram à Espanha com um dia de atraso.
‘‘Nunca pensei que a seleção brasileira fosse tão desorganizada. Acho que estão desprezando o jogo com a Espanha. A começar pelo fato de o técnico não ter vindo. Essa chegada dos atletas pouco a pouco confirmou o desinteresse’’, afirmou o torcedor Gustavo Cedrón, que é espanhol de Vigo, mas diz torcer pelo Brasil.
Luxemburgo foi para a Austrália acompanhar dois amistosos da seleção olímpica. ‘‘Isso não é desorganização. Nem acredito que vá prejudicar a imagem do Brasil. A Espanha nos convidou para comemorar a festa dos cem anos de sua federação, e, pela amizade existente entre os dois países, não poderíamos recusar’’, justificou Candinho.
Para tentar explicar o atraso dos jogadores, ele usou como argumento a dispersão dos atletas devido à qualidade do futebol brasileiro. ‘‘A Espanha não tem esse problema porque seus jogadores não atuam fora de seu país.’’ O assistente da seleção ainda procurou se engrandecer para dizer que a ausência de Luxemburgo não significava desprezo pelo jogo.

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