Seleção estréia sem esquema definido
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Agência Estado 
Os laterais projetando-se em velocidade, protegidos pela dupla de volantes, para que os zagueiros de área não se exponham ao combate direto. Os dois meias trabalhando em sintonia com os laterais e os dois atacantes movimentando-se o tempo todo, para confundir a marcação. Sem a posse de bola, os laterais voltando pelo meio, para ocupar a posição dos volantes, os meias também recuando e os atacantes iniciando, com um cerco, na frente, todo o trabalho de marcação. É tudo o que Zagallo gostaria de ver. Mas não é nada que o brasileiro tem visto.
Esse seria, em resumo, o esquema tático da Seleção Brasileira que tenta, a partir de hoje, no Estádio da França, chegar a seu quinto título mundial. Mas esse não é o esquema que a Seleção tem mostrado. Aliás, a equipe não tem mostrado esquema algum. Zagallo alardeou por quase quatro anos, desde que assumiu a direção do time, um esquema com um número 1 no meio-de-campo. Testou Amoroso, Marques, Juninho, Edílson, Jamelli, Beto, Leonardo, Rivaldo, Giovanni, Djalminha, Raí e Edmundo. No meio do caminho, definiu-se por Juninho, o que mais bem soube executar a função. Mas, com a contusão de Juninho, o técnico optou por Rivaldo. No dia da convocação, surpreendeu, ao anunciar a dupla Giovanni e Rivaldo, que atua junta no Barcelona. E o número 1 passava a ser feito pelos dois.
Como a Seleção não tem entrosamento, todo o time fica desencontrado. A defesa continua vulnerável, com os zagueiros de área condenados ao combate direto e sujeitos às contusões. Os laterais, apoiando ao mesmo tempo, deixam os volantes perdidos. Se estes ficam, as extremidades do campo estarão descobertas. Se vão para as laterais, o meio se abre generosamente para os adversários. Os meias voltam para tentar ajudar atrás e não conseguem recuar e avançar com constância. Ficam no meio do caminho. E os atacantes acabam órfãos de jogadas à frente. Agrupar o time é o maior desafio para Zagallo. Se conseguir, a qualidade individual dos jogadores passa a ser fator de desequilíbrio, e não de compensação, como tem sido nestes quatro anos.
O esquema tático da Seleção, por isso, é uma incógnita. Ele é conhecido no papel. E um mistério em campo. Os jogadores é que tentam resolver tudo por conta própria.
Zagallo fez ontem vários elogios ao atacante Bebeto. Irritado com as críticas de jornalistas ao substituto de Romário na equipe, o técnico afirmou que poucos jogadores no Brasil têm as qualidades do atleta. Bebeto se movimenta como ninguém, corre o tempo todo e é isso que quero.


