Seleção estreia na Copa América com toda a pressão em Tite
Sem Neymar, técnico é o mais cobrado por conquista em casa; Bolívia é primeiro adversário
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Sem Neymar, técnico é o mais cobrado por conquista em casa; Bolívia é primeiro adversário
Marcos Guedes/Folhapress 

São Paulo - A derrota para a Bélgica nas quartas de final da última Copa do Mundo e o fato de o Brasil jogar a Copa América em casa compõem uma dupla pressão por um bom resultado verde-amarelo na competição sul-americana. A disputa começa em jogo da seleção contra a Bolívia, às 21h30 desta sexta-feira (14), em São Paulo, e boa parte dessa responsabilidade estará nas costas de Tite.
Estivesse Neymar à disposição, a pressão, os elogios e as críticas poderiam ser mais divididos. Mas o principal jogador do time (que já vivia situação difícil, após ser acusado de estupro) sofreu uma lesão no tornozelo direito no primeiro amistoso preparatório, foi cortado e deixou o comandante sem um atleta com o mesmo peso do camisa 10.
“Eu me senti pressionado quando assumi o Guarany de Garibaldi”, disse o gaúcho de 58 anos, citando o clube que dirigiu no início de sua carreira como treinador, em 1990. Ele gosta de utilizar essa resposta quando é questionado sobre momentos de tensão.
Por mais que procure minimizar a situação, Tite sabe que está em sua fase mais delicada à frente da seleção brasileira. Ele foi mantido após o fracasso no Mundial, mas foi alvo de críticas pelo desempenho do time desde então. Agora, ele encara a obrigação de conquistar o título da Copa América jogando em casa.
Ciente de que a pressão não é a mesma do Guarany de Garibaldi, Tite preferiu deixar uma renovação mais profunda da equipe, com vistas à disputa da Copa do Mundo do Catar, em 2022, para depois.
O elenco está envelhecido, sobretudo no sistema defensivo, com atletas como Daniel Alves, 36 anos, Thiago Silva, 34, e Miranda, 34, mas a meta é vencer agora e se preocupar com o Mundial em outra hora.
Quando Neymar, 27, lesionou-se, o substituto acionado foi Willian, 30. Houve nova enxurrada de críticas na direção do comandante, que se vê bem distante do prestígio de que gozava até o último Mundial - ao recuperar o time nas Eliminatórias, o técnico viveu um período de questionamentos quase inexistentes.
Após a vitória da Bélgica nas quartas de final, a lua de mel acabou, e Tite precisa da Copa América para ajustar a relação com a torcida. Para isso, ele resolveu apostar em um jogo agressivo, com desarmes no campo ofensivo e ataques mais verticais. A ideia é controlar a posse da bola, mas buscar ataques agudos em detrimento dos lances cheios de firulas e toques de lado. O plano terá seu primeiro teste diante da Bolívia, tida como o time mais frágil do grupo A.
EM SÃO PAULO
Brasil
Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís; Casemiro, Allan e Philippe Coutinho; Richarlison, Roberto Firmino e David Neres. Técnico: Tite
Bolívia
Lampe; Diego Bejarano, Haquin, Jusino e Marvin Bejarano; Justiniano, Saucedo, Raùl Castro e Saavedra; Chumacero e Marcelo Moreno. Técnico: Eduardo Villegas
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Estádio: Morumbi
Horário: 21h30


