Áureo Nogueira
De Londrina
A Seleção Brasileira Sub-23 faz hoje o primeiro teste da fase de preparação realizada em Londrina: enfrenta a seleção sub-23 de Trinidad e Tobago, a partir das 21h40, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. A delegação brasileira embarca para a capital catarinense às 13 horas, em vôo fretado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O retorno está previsto para logo depois do jogo.
O time titular está escalado pelo técnico Wanderley Luxemburgo com Sílvio Luís; Mancini, Fábio Bilica, Álvaro e Fábio Aurélio; Baiano, Mozart, Fabiano e Alex; Ronaldinho Gaúcho e Fábio Júnior. Mas todos os 20 jogadores convocados viajam. Luxemburgo não descarta a hipótese de fazer experiências contra Trinidad e Tobago, mas adianta que o grupo que começa jogando vai atuar o maior tempo possível. ‘‘Tudo vai depender do desenvolvimento do jogo.’’
Luxemburgo entende que os jogos nesta fase de preparação para o Torneio Pré-Olímpico – que será disputado em Londrina no período entre o próximo dia 19 e 6 de fevereiro – serão muito importantes para dar ritmo à seleção. ‘‘Não conhecemos a seleção de Trinidad e Tobago com profundidade. Mas nossa preocupação é com o desempenho do nosso time. Vamos observar o que nossos jogadores podem realizar’’, enfatizou Luxemburgo, fazendo questão de dizer que o jogo não será fácil como muitos podem imaginar.
Assim como o técnico, seu auxiliar, José Cândido Sotto Maior (Candinho) – principal encarregado de observar os adversários –, tem enfatizado que não há mais ‘‘inocentes’’ no futebol. ‘‘Sabemos que Trinidad e Tobago está se preparando para o Pré-Olímpico da Concacaf (confederação de futebol para a América do Norte, Central e o Caribe) e que seu treinador é estrangeiro. Os jogadores são fortes e velozes e jogam futebol semelhante ao da Jamaica’’, analisa Candinho. ‘‘Portanto, o jogo não será fácil e certamente será um bom teste para o Brasil.’’
Os jogadores brasileiros, entretanto, confessam nada saber sobre o adversário. ‘‘Sem menosprezar ninguém, só sei que tem um corredor lá que é campeão mundial de 100 metros rasos’’, disse o meia Mozart. ‘‘Do futebol eu não sei nada.’’
Tanto Mozart quanto todos os outros jogadores demonstram respeito à seleção caribenha e consciência de que não há adversário fácil sem que seja enfrentado com seriedade. Certamente já é reflexo da filosofia implantada pela Comissão Técnica, que quer o time concentrado num único objetivo: a vitória.
Para superar o adversário de hoje e acertar o time para a estréia no Pré-Olímpico, na próxima quarta-feira contra a seleção do Chile, no Estádio do Café, Luxemburgo quer um time rápido no ataque e forte na marcação. O técnico entende que a alteração tática e na escalação determinada pela saída de Denílson – dispensado na semana passada por exigência do seu clube, o Real Bétis (da Espanha) – deixou o time ‘‘com mais pegada’’.
Luxemburgo reiterou que a escalação de Baiano na cabeça-de-área permite que os meias Mozart (pela esquerda) e Fabiano (pela direita) possam avançar mais, além de liberar os laterais Mancini (pela direita) e Fábio Aurélio (pela esquerda) e possibilitar que Alex jogue com ampla liberdade um pouco mais à frente.
‘‘Esta mudança deixou o time com mais ‘pegada’ (forte na marcação). Mozart e Fabiano apresentam excelente capacidade física e orgânica, que lhes permite construir jogadas e apoiar o ataque e também voltar para o combate quando não tivermos a posse de bola. O time está muito consistente’’, analisou Luxemburgo.
O técnico da seleção rechaça a opinião de que tenha escalado o time na retranca, com três volantes. Ele enfatiza que apenas Baiano é volante e tem a função de jogar mais recuado, dando proteção à defesa. Para Luxemburgo, Mozart e Fabiano são meias que marcam forte, mas também atacam e criam jogadas na frente. ‘‘Mozart joga como meia no Coritiba e Fabiano faz a mesma função no São Paulo. Um pela direita e o outro pela esquerda.’’
Luxemburgo entende, ainda, que o grupo de 20 jogadores lhe permite variações táticas se houver necessidade. ‘‘O time tem como principal característica o toque de bola e a consistência na marcação. Mas disponho de um banco de reservas que permite deixar o time rápido, jogando em velocidade. Para isso, conto com três jogadores: Warley, Lucas e Adriano’’, acrescenta, revelando que está muito satisfeito com os recursos técnicos dos jogadores de que dispõe.
No último dia de trabalho antes do jogo houve treino somente no período da tarde. Pela manhã, apenas o zagueiro Cris fez séries de musculação no próprio hotel onde a seleção está concentrada. À tarde, o técnico Luxemburgo comandou treino técnico-tático no campo da Associação dos Funcionários Municipais (AFML).
Luxemburgo enfatizou o ensaio do posicionamento do ataque e da defesa. Exigiu muito especialmente das duplas de área (Fábio Bilica e Álvaro) e de ataque (Ronaldinho Gaúcho e Fábio Júnior). O técnico voltou a cobrar dos jogadores mais gritos entre si, com incentivo e orientação entre eles. Mas lembrou que não basta gritar uns com os outros. É preciso comunicar.
O adversário – O técnico de Trinidad e Tobago, Bertille St. Clair, só divulga o time momentos antes do jogo, mas não deve ser diferente do que vem treinando. A seleção caribenha também se prepara para o Pré-Olímpico da Concacaf, que será disputado em março. A delegação chegou a Florianópolis na segunda-feira. Entre os jogadores, Ayodele Green é conhecido dos torcedores brasilienses, tendo atuado no Guará.

PERFIL DO PAÍS
Nome oficial: República de Trinidad e Tobago
Capital: Port of Spain
Nacionalidade: Trinitina ou tobaguiana
Idioma: Inglês (oficial)
Religião: Cristianismo (59,1%), hinduísmo (23,7%)
Moeda: Dólar local
Localização: Sudeste da América Central, mar do Caribe
Área: 5.123 km2
População: 1,3 milhão (censo de 1998)
Composição étnica: Afro-americanos 41%, indianos 41%, eurafricanos 16%, europeus 1%
Governo: República parlamentarista
Economia: Petróleo é o principal recurso explorado no país
Fonte: Almanaque Abril de 1999

FICHA TÉCNICA
Brasil
Sílvio; Mancini, Fábio Bilica, Álvaro e Fábio Aurélio; Baiano, Mozart, Fabiano e Alex; Ronaldinho e Fábio Júnior. Técnico: Wanderley Luxemburgo
Trinidad e Tobago
Brent Sancho; Derek King, Keyeno Thomas, Marlon Rojas e André Cooper; Atiba Charles, Kervin Jemmott, Justin Latapy e Derril Gomes; Trevis Mulraine e Anton Pierre. Técnico: Bertille St. Clair
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS)
Estádio: Orlando Scarpelli, em Florianópolis
Horário: 21h40

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