Pequim - Como há oito anos, Camarões mais uma vez está no caminho do Brasil, que busca a inédita medalha de ouro olímpica no futebol masculino. A seleção brasileira disputa contra os africanos amanhã, às 7 horas (de Brasília), uma vaga na semifinal do torneio de Pequim-08. A partida acontece no estádio de Shenyang.
O time dirigido por Dunga terminou a fase de classificação na primeira colocação do Grupo C, com três vitórias em três jogos (1 a 0 contra a Bélgica, 3 a 0 frente a Nova Zelândia e 3 a 0 diante da China). O adversário ficou na segunda posição da chave D, com cinco pontos, atrás da Itália, com sete.
A partida de amanhã, sem dúvida, terá sabor de revanche para a seleção. Em Sydney-2000, o futebol brasileiro viveu um trauma. Com apenas nove jogadores em campo, Camarões venceu o Brasil na morte súbita e fulminou o sonho do inédito ouro olímpico. Na época, a seleção era treinada por Vanderlei Luxemburgo e contava com Ronaldinho Gaúcho, então com 20 anos.
Em desvantagem desde o início do primeiro tempo, a seleção só chegou ao empate nos acréscimos da segunda etapa, com um gol de Ronaldinho, quando os camaroneses já contabilizavam dois expulsos.
Apesar do péssimo futebol apresentado no início da prorrogação, a vitória da seleção parecia iminente, dada a inferioridade numérica do adversário, até que, aos 8 min do segundo tempo do tempo complementar, em um dos poucos ataques do time camaronês, Modeste Mbami chutou da entrada da área e destruiu o sonho da inédita medalha de ouro brasileiro. E mais uma eliminação, o Brasil caía diante de um país africano - em 1996, nos Jogos de Atlanta, o algoz foi a Nigéria, na semifinal. Camarões ainda conquistaria o ouro na competição daquele ano.
A comissão técnica brasileira e os jogadores rejeitam o clima de revanche contra o algoz de Sydney. ''Não acho que exista clima de revanche contra os camaroneses. Claro que foi um momento muito triste, um dos mais tristes da minha carreira, mas agora é corrigir aquilo tudo que saiu errado, e fazer tudo certo'', disse Ronaldinho. ''Me sinto melhor hoje do que me sentia no passado. Tenho mais experiência, e me sinto muito importante em poder passar o pouco que eu sei e que vivi para os outros jogadores que estão aqui, e são muito especiais para mim'', declarou o jogador, hoje com 28 anos.
Para ele, a seleção tem de repetir as atuações que realizou até então nos Jogos. ''Nós temos tudo para chegar e jogar bem contra eles. O nosso time é forte e unido. Agora temos três jogos pela frente, e três finais'', completa.
O assistente técnico da seleção brasileira, o ex-lateral-direito Jorginho, esteve presente na cidade de Tianjin para acompanhar de perto Camarões. O resumo do adversário: um time que segue o estilo africano. ''É uma equipe corajosa, que sabe jogar, parte para cima, tem muito vigor físico. Os africanos são assim, abertos, jogam e deixam jogar'', definiu Jorginho.
O técnico Dunga faz mistério sobre a equipe que vai à campo amanhã. Ele deve definir a escalação entre o último treino para a partida, hoje. Thiago Neves, Ramires e Ilsinho, titulares contra a China, devem voltar ao banco.


EM SHENYANG

Brasil

Renan; Rafinha, Alex Silva, Breno e Marcelo; Hernanes, Lucas, Anderson e Diego; Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato. Técnico: Dunga

Camarões

Amour Tignyemb, Antonio Ghomsi, Nicolas Nkoulou, Alexandre Song e André Bikey; Stéphane Mbia, Serge N'Gal, Paul Rolland Bebey e Aurélien Chedjou; Christian Bekamenga e Franck Songo'o. Técnico: Jules Frédéric Nyongha

Árbitro: Damir Skomina (ESL)
Estádio: Olímpico
Horário: 7 horas

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