Paulo Guilherme
Agência Estado
Da Cidade do México
A seleção principal do Brasil volta a jogar hoje no Estádio Azteca, na Cidade do México, pela primeira vez desde a conquista do tricampeonato mundial em 1970. Na decisão da Copa das Confederações contra o México, às 23 horas, a seleção dá as costas ao passado e busca seu segundo título este ano pensando no futuro: criar um estigma de campeão pensando na medalha de ouro na Olimpíada do ano 2000. As TVs Globo e Bandeirantes vão transmitir o jogo.
Nenhum dos jogadores era nascido quando Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino conduziram o Brasil ao seu terceiro título mundial em uma atuação que fez da seleção de 70 uma referência de bom futebol. Para a nova geração de jogadores, o tri é algo muito distante para ser lembrado. ‘‘Se ganharmos do México vou sentir uma emoção muito grande por conquistar meu primeiro título como capitão do time’’, diz o Émerson, que nem se lembra da célebre exclamação ‘‘É nossa!’’ dada por Carlos Alberto Torres, o capitão do tri, ao erguer a Taça Jules Rimet sob os aplausos dos torcedores mexicanos, há 29 anos. ‘‘Não acompanhei a Copa de 70, não era nascido’’, comenta Émerson.
Para o técnico Wanderley Luxemburgo, a volta ao palco da conquista do tri não tem valor nenhum. ‘‘Não muda nada, vai servir só para a gente conhecer o Estádio Azteca’’, afirma. ‘‘Queremos é ganhar este torneio pelo que vai representar ao Brasil de hoje.’’
Se para os brasileiros o Azteca não tem grande valor, para os mexicanos o estádio é considerado uma força extra à seleção nacional. Desde 1981 o México não perde para outra seleção no seu principal estádio. A última derrota foi em 1993, mas para um clube, o Atlético de Madrid, na época dirigido pelo brasileiro Jair Pereira.
Luxemburgo acha que a pressão de mais de cem mil torcedores poderá acabar favorecendo a Seleção Brasileira. O treinador considera que se o México começar a ter dificuldades na partida, a torcida mexicana poderá mudar de lado e passar a apoiar o Brasil.
Luxemburgo deverá reforçar a marcação no meio-de-campo colocando Beto desde o início de jogo para fechar os espaços ao lado de Émerson e Vampeta. O meia Alex passaria a jogar no ataque ao lado de Ronaldinho, indo Christian para a reserva. O atacante Roni, cotado para entrar na equipe, deverá ficar como opção para o segundo tempo. ‘‘Já joguei como atacante no Coritiba e no Palmeiras’’, explica Alex. ‘‘Não é bem a minha, mas se for para colaborar, vou aceitar o que o Luxemburgo decidir.’’
Ronaldinho destaca que Alex é um ótimo companheiro, capaz de deixar qualquer jogador de frente para o gol. O artilheiro da seleção quer se consagrar conquistando o título. ‘‘Este está sendo o torneio da minha vida’’, diz. Ídolo confesso de Rivellino, herói do tri em 70, Ronaldinho revela ter grandes ambições: ‘‘Quero ser o Rivellino do pé direito’’.

FICHA TÉCNICA
México
Jorge Campos; Villa, Márquez, Suárez e Carmona; Torrado, Pardo, Ramírez e Palencia (Terrazas); Abundis e Blanco. Técnico: Manuel Lapuente

Brasil
Dida; Flávio Conceição, Odvan, João Carlos e Serginho; Émerson, Vampeta, Beto e Zé Roberto; Ronaldinho e Alex. Técnico: Wanderley Luxemburgo

Árbitro: Anders Frisk (Suécia)
Estádio Azteca: na Cidade do México
Horário: 23 horas (de Brasília)

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