Imagem ilustrativa da imagem SELEÇÃO<br> Ele tem a força



Para quem conhece Julio Cesar, as defesas dos dois pênaltis que garantiram a classificação do Brasil às quartas de final da Copa do Mundo ainda não são suficientes para o goleiro esquecer a falha e a eliminação em 2010 diante da Holanda. De personalidade forte e que se cobra muito, o camisa 12 limará definitivamente o episódio fatídico na África do Sul se conquistar a Copa deste ano.
A conclusão é de Marcos Leme, preparador físico de Julio quando ele estava no profissional do Flamengo. O trabalho entre 2000 e 2006 com o goleiro não ficou restrito apenas ao campo e estabeleceu laços de amizade entre ambos. Hoje na comissão técnica do Fluminense, Leme vibrou com o desempenho do pupilo no sábado.
- Aquele lance, em 2010, talvez tenha sido um exagero de confiança. Ele era o melhor goleiro do mundo... Ele mesmo colocou isso. Sei que ele só ter á prazer mesmo com a Seleção sendo campeã este ano - disse.
Orgulho de Julio ter tido novamente o respaldo para ser o titular no Mundial deste ano, Marcos Leme recordou-se do perfil exigente do jogador, que buscava a titularidade no Rubro-Negro aos 21 anos.
- Julio sempre foi muito transparente. A falha incomodava e ele ficava com aquilo durante a semana. Ele sempre se cobrou muito. Mas se falhava, não era omisso. Sempre foi crítico - destacou Leme, que também é padrinho de batismo de Julio.
Os contatos com o goleiro este ano não foram constantes. Marcos pouco falou com o jogador, principalmente após a transferência de Julio para a liga canadense. Mesmo distante, o padrinho, amigo e preparador aposta que o dedicado profissional se redimirá de vez em 2014:
- Vai ajudar o Brasil a ganhar.

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BATE-BOLA MARCOS LEME PREPARADOR DE GOLEIROS ‘A falha em 2010 o deixou mais maduro’ 1. Você acredita que há algum trauma em Julio Cesar por causa da falha em 2010 naquela eliminação para a Holanda? A situação da Copa de 2010 deixou Julio mais maduro, mesmo ele já estando na Europa e sendo o melhor goleiro do mundo. E lembro que depois do jogo ele acusou a falha, mostrando que jamais foi omisso. 2. Você chegou a dar alguma opinião em relação a ida dele para o Canadá? Sei que quando ele saiu da Inter, tinha uma possibilidade do Napoli. Lembro que conversei com ele sobre isso. Claro que várias coisas pesaram, que são deles. Não podemos querer dar opinião. A Itália naquele momento já não era o mercado onde estavam os melhores jogadores. Espanha e Inglaterra estavam atraindo mais e ele acabou indo para o QPR. 3. Vocês chegaram a conversar recentemente, antes da convocação para a Copa? Quando ele disputou o Mundial de clubes, eu estava trabalhando em um clube em Dubai. Em um dia de folga, fui visitá-lo. Nossas famílias são muito ligadas. Só agora que ele foi para a Inglaterra e, depois no Canadá, que não tivemos muita chance de conversar. 4. A personalidade forte ajudou no crescimento de Julio no Flamengo? Goleiro precisa mostrar que jogou na categoria de base, mas depois ele vau crescendo e aprendendo com as situações. Um jogo no júnior é totalmente diferente do profissional. Julio virou titular no início de 2001. Ele tinha personalidade forte. Quando chegamos, ele já tinha jogado algumas partidas. Lembro de um jogo dele contra o Cruzeiro, no Mineirão. Mostrou muita maturidade naquele jogo. Não é fácil ser titular em um clube como o Flamengo.