Das agências
De Buenos Aires
A comissão técnica da Seleção Brasileira irritou-se com a Associação de Futebol Argentino (AFA), que enviou um ônibus para levar os jogadores brasileiros ao campo do Vélez Sarsfield, onde o time treinaria ontem pela manhã, com 45 minutos de atraso. Com isso, o técnico Wanderley Luxemburgo cancelou o treino matutino, e os atletas limitaram-se a fazer exercícios de musculação no hotel onde estão concentrados. Devido à altura do veículo, de dois andares, ele não poderia, segundo o treinador, entrar no estádio, e obrigaria os jogadores a andarem cerca de 70 metros até os vestiários. Com isso, torcedores argentinos poderiam hostilizar os brasileiros.
O técnico havia ficado irritado porque o motorista que levou a equipe para o treino de terça-feira errou o caminho do CT do Vélez e passou por uma favela. Reconhecidos, os brasileiros foram xingados de ‘‘macaquitos’’.
A situação serviu para provar que, ao contrário de seus antecessores, Luxemburgo não é apenas o treinador da equipe. Sua função é a de diretor-técnico também. O presidente Ricardo Teixeira autorizou o treinador a tomar todas as atitudes necessárias, como um chefe da delegação. ‘‘Meu comportamento na Seleção é igual ao que eu tinha no Bragantino: onde estiver acontecendo algo errado vou berrar, me meter e consertar. Não sou homem de ver bagunça e ficar calado. Tenho autonomia.’’
Mais calmo, Luxemburgo pôde treinar o time à tarde. Está claro que irá escalar três volantes para travar a iniciativa dos donos da casa. O meia Juninho, do Vasco, se incorporou ao grupo ontem. Hoje deverão chegar Dida, João Carlos, Vampeta, Scheidt, Ronaldinho Assis e Luiz Alberto. O único coletivo para o amistoso deverá ocorrer hoje à tarde, quando Luxemburgo vai definir a escalação de Ronaldo e Elber no ataque.

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