Porto Alegre, 05 (AE) - Jogadores e a comissão técnica da seleção brasileira não esperavam uma recepção tão calorosa da torcida gaúcha, ao chegar, hoje à tarde, em Porto Alegre, para o segundo amistoso diante da Argentina, terça-feira, no Beira-Rio. A festa dos tietes em busca de um autógrafo ou uma simples foto do ídolo foi muito grande. Nem parecia que a equipe havia perdido, no dia anterior, para o rival por 2 a 0, em Buenos Aires.
A alegria dos torcedores acabou causando um tumulto na porta do Hotel Plaza São Rafael, onde a seleção está hospedada. Os seguranças da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não conseguiram fazer um cordão de isolamento para a passagem dos atletas e precisam de reforço local. Houve empurra-empurra entre fãs, fotógrafos e integrantes da delegação. "Fiquei bastante feliz pelo carinho dos gaúchos", afirmou o técnico Wanderley Luxemburgo, que, em troca, prometeu uma melhor atuação da equipe.
"E todo povo brasileiro pode esperar que a história, agora, será outra", disse o treinador. "O Brasil não está acostumado a apresentar um futebol igual ao da última partida, por isso, creio numa recuperação." Entre os mais festejados, estavam Scheidt e, principalmente, Ronaldinho, os representantes do Grêmio. Os atletas estavam apressados e foram diretamente para os seus quartos, onde puderam descansar.
"Precisamos ter tranquilidade para dar a volta por cima", declarou o goleiro Dida, que, apesar dos dois gols sofridos na Argentina, teve um bom desempenho em campo. Para Vampeta, o Brasil tem, em casa, a grande chance de devolver o tropeço de sábado. "Com o apoio de nossa torcida, vamos ter mais força", disse o volante. "Estamos em débito com todos e é necessária uma mudança geral na equipe." Luxemburgo terá uma conversa com os jogadores hoje pela manhã, momentos antes do treino, o único em Porto Alegre. O de ontem à tarde havia sido cancelado no dia anterior, pois o vôo da seleção, que deveria deixar Buenos Aires às 7h20, foi transferido para às 15h35.
"Vou ouvir a opinião de cada atleta e, então, definir o time para a partida", contou o treinador.
No segundo amistoso diante da Argentina, Luxemburgo poderá promover mudanças na equipe, principalmente no meio-de-campo, setor que não o agradou em Buenos Aires. A falta de criatividade no meio dificultou a saída de bola brasileira, obrigando os zagueiros a dar chutes de longa distância para a frente. O esquema 4-4-2, porém, deverá mantido.
Os atletas parecem otimistas, apesar do péssimo jogo fora de casa. "Estamos no caminho certo", revelou o atacante Ronaldo. O jogador tem o apoio de Luxemburgo e da CBF. "Perder para a Argentina não é nenhum absurdo, porque é um clássico imprevisível, em que qualquer resultado é possível", completou Ricardo Teixeira, o presidente da entidade, que acompanha a delegação no Sul.

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