A Seleção Brasileira desembarcou ontem em Tóquio, para a etapa seguinte da excursão do time à Ásia depois da derrota para a Coréia do Sul, por 1 a 0, no domingo. Em entrevista coletiva, logo após a chegada à capital japonesa, o técnico Wanderley Luxemburgo voltou a dizer que o resultado em Seul não abalou seu time. Ele insistiu, contudo, que o Brasil ‘‘poderia ter rendido mais’’, mas não apontou falhas específicas na equipe nem adiantou se pretende fazer mudanças na escalação para enfrentar o Japão amanhã, às 7 horas (de Brasília), no Estádio Nacional, com transmissão pela Rede Globo.
Sob um frio de oito graus e fortes ventos gelados vindos da Sibéria, a seleção de Luxemburgo desembarcou ao meio-dia e meia de ontem (madrugada no Brasil), no Aeroporto de Narita. Já no saguão de chegada, os jogadores foram cercados por torcedores japoneses, que disputavam autógrafos de seus ídolos. No mesmo vôo, de pouco mais de uma hora e meia, desde Seul, um grupo de crianças sul-coreanas festejou a presença dos jogadores em Narita. A forte presença da imprensa japonesa ainda fez parte da recepção à equipe, conhecida por muitos fãs pela palavra ‘‘seresson’’, do português ‘‘seleção’’, com pronúncia nipônica.
Logo após a saída de Narita, a 70 quilômetros do centro de Tóquio, a equipe e a comissão técnica seguiram para o Hotel New Otani - um dos mais luxuosos da capital. Pouco depois do registro e distribuição dos quartos de todo o 11º andar aos jogadores, Luxemburgo participou de uma concorrida entrevista coletiva, cercada de muita expectativa pela imprensa japonesa.
Segundo o técnico, a seleção ‘‘merecia ter vencido’’ a Coréia. ‘‘A partida foi decidida num contra-ataque’’, justificou. De acordo com ele, a adaptação ao fuso horário ‘‘já não é mais problema’’ e não pode ser apontado como causa da derrota. O treinador não adiantou se pretende fazer alguma mudança contra os japoneses. ‘‘Só vou definir isso no treino de amanhã (hoje)’’, disse.
Embora garantisse não pretender fazer segredo em torno da escalação do time para o jogo de Tóquio, Luxemburgo não confirmou se começa com Émerson no lugar de Juninho, no meio-de-campo, e se Fábio Júnior substitui Jardel, no ataque. Qualquer mudança, insistiu, só será anunciada após o treino, no próprio Estádio Nacional.
O técnico afirma conhecer bem dois jogadores adversários: Hidetoshi Nakata, de 22 anos, e o brasileiro, naturalizado japonês, Wagner Lopes, de 30 anos, que surgiu como Vaguinho nas divisões de base do São Paulo. Enquanto o primeiro é o único jogador japonês a ‘‘estourar’’ na Série A italiana, pelo Perugia, Lopes acaba de transferir-se para o Nagoya Grampus Eight, depois que seu antigo clube, o Hiratsuka Belmare, também foi forçado, pela crise econômica japonesa, a reduzir o salário e abrir mão de seus atletas.
De todo modo, para Luxemburgo, o mais importante ontem era o descanso dos jogadores, que, em sua maioria, preferiram ficar em seus quartos. Para alegria de jovens japoneses caçadores de autógrafo, que faziam plantão no saguão do New Otani - próximo ao jardim com as primeiras espécies de sakura (cerejeira em flor) da primavera -, Cafu e Amoroso foram as exceções. Ao contrário dos companheiros, eles optaram por caminhar pelos enormes corredores do hotel, esperando a hora do jantar e o ‘‘tempo certo de ir para a cama’’, tentando afastar as recaídas do cansaço provocado pelo fuso horário.
Amoroso - O presidente da Udinese, Pierpaolo Marino, antecipou-se aos concorrentes e anunciou ontem que o clube renovou o contrato com o atacante Amoroso até junho de 2004. O dirigente disse que o clube decidiu antecipar as negociações, em razão do aumento do interesse de outros clubes europeus pelo jogador brasileiro. ‘‘O contrato com Amoroso venceria em 2001, porém decidimos renová-lo até 2004. A nossa idéia é mantê-lo aqui pelo maior tempo possível’’, afirmou Marino.



Japão
Kawaguchi; Ando, Ihara; Akita e Soma; Nanami, Ito, Nakata e Fujita; Wagner Lopes e Nakayama. Técnico: Philippe Troussier


Brasil

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