A seleção brasileira de ginástica rítmica (GR) de conjunto, que há 12 anos está sediada na Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, pode ser substituída por algum clube. Pelo menos é o que deseja a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). A provável mudança foi divulgada pela presidente da entidade, Vicélia Florenzano, na audiência pública realizada quarta-feira, na Comissão Permanente de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, em Brasília.
A dirigente já havia anunciado quatro dias antes do embarque da delegação para Atenas, onde disputaria a Olimpíada, a extinção da seleção após a participação do grupo na competição. O motivo alegado é a falta de um patrocinador e de compromissos internacionais até o fim do ano.
A técnica da seleção, Bárbara Laffranchi, que anunciou antes dos Jogos que não permaneceria no cargo para cuidar dos negócios da família, aproveitou a audiência para bater de frente com a presidente da CBG. Contestou os argumentos e cobrou algumas explicações. Cada uma das pessoas convocadas para falar teve 20 minutos para expor suas idéias. ''Eu já havia dito que a Unopar iria continuar mantendo o patrocínio. Quanto aos compromissos internacionais, é o maior desengano e falta de lembrança da parte dela, que vetou nossa participação em uma competição'', contestou a técnica.
Durante a entrevista coletiva, Bárbara falou dos vários problemas enfrentados pela seleção de GR durante os três últimos anos, como em 2002, quando foram impedidas de entrar na Bulgária para disputar um torneio devido à falta dos vistos.
Ela também cobrou explicações sobre o não repasse completo da Beca Olímpica uma espécie de patrocínio, enviado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), gerenciado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e distribuído pela CBG às atletas e treinadoras que foram a Atenas.
Segundo a técnica, cinco ginastas teriam direito a US$ 50 mensais, a capitã Dayane Camilo a US$ 100, assim como ela e a auxiliar Camila Ferezin. Além delas, a técnica ucraniana Vira Nikolayeva teria direito a US$ 1 mil mensais, porém ela não fazia mais parte da comissão técnica, e mais US$ 450 para a seleção como fundo de reserva. As parcelas seriam pagas em cinco vezes a cada três meses. ''Só recebemos duas parcelas e o dinheiro que era para ser da Vira, não sabemos aonde foi parar'', questionou Bárbara.
Outra reclamação da treinadora diz respeito ao preenchimento dos relatórios de desempenho individuais para a distribuição das Becas. ''Só preenchi dois. Os outros não sei quem preencheu'', garantiu.
Ela disse não ter exposto os problemas anteriormente para não prejudicar ainda mais o desempenho da equipe na Olimpíada, quando o grupo ficou na oitava colocação, mesmo resultado de Sydney-2000. Bárbara atribui o rendimento aquém do esperado pelas turbulências às vésperas da competição.
Com o novo modelo, a técnica, que descartou a permanência no cargo mesmo que a seleção não seja extinta, acredita que não dará certo. ''Com um clube representando o Brasil, as melhores atletas não estarão reunidas. Tem que ter uma seleção permanente urgente, seja em Curitiba, em Londrina, em Brasília, ou em qualquer lugar.''
Das ginastas que integravam a seleção, cinco permaneceram na, agora clube, Unopar. Outras três, Nicole Muller, Larissa Barata e Taiane Mantovanele retornaram a seus clubes de origem. A Unopar confirmou a participação no Campeonato Brasileiro mês que vem, em Curitiba.

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