Atenas - A equipe brasileira de ginástica rítmica (GR) ainda questiona a oitava colocação nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, e espera que, quatro anos depois o erro seja corrigido. ''Espero que esta aqui seja uma competição justa. Se a nossa apresentação valer o oitavo lugar, que tiremos o oitavo lugar, mas se valer o terceiro, queremos o terceiro'', diz a técnica Bárbara Laffranchi.
Segundo a treinadora, por causa da injustiça realizada com as ginastas brasileiras na última edição dos Jogos, o Comitê Olímpico Internacional (COI) advertiu a Federação Internacional de Ginástica, que precisou mudar as regras do código de pontuação para Atenas. ''O COI está dando uma última chance à ginástica. Se não melhorar aqui, a GR sai da Olimpíada'', explica.
Laffranchi afirma que a equipe brasileira foi prejudicada na Austrália porque não tinha tradição no esporte. ''A nossa apresentação foi perfeita, aplaudida de pé por todo o público e mesmo assim a nossa nota foi bem baixa em relação a equipes européias que cometeram falhas visíveis'', declara. ''Depois que o resultado foi divulgado, a imprensa toda, até a estrangeira, queria saber o que tinha acontecido, mas ninguém sabia explicar. Ninguém sabia apontar porque o Brasil tinha ficado em oitavo lugar.''
Apostando na mudança das regras de pontuação, as brasileiras resolveram incrementar ainda mais a coreografia que será apresentada em Atenas, chegando a igualar o grau de dificuldade a de equipes como Rússia, campeã olímpica, e Bielorússia, que empatou em pontuação com a campeã em Sydney. ''Temos muitos exercícios de extrema dificuldade, como elas. Mas em um deles, a Ana Maria faz um arco entre a perna e o tronco e a Daiane passa por dentro. Este exercício vale 0,30 e só o Brasil tem'', conta.
O ritmo de frevo e maracatu, apresentado em Sydney, deu lugar a batuque de escola de samba na música Canta Brasil para a coreografia das cinco fitas e ao batuque indígena da música ''O Desconhecido'', de André de Moraes, tema do filme brasileiro ''No coração dos deuses'', estrelado por Antônio Fagundes.
''Podemos levar alguma vantagem no quesito originalidade. Isso conta muito ponto'', diz. Para a treinadora, a briga no conjunto vai ficar entre Brasil, Bielorússia e Bulgária. ''A Grécia estava muito bem em Sydney, mas agora está mais fraca. Acho que o objetivo delas era estar bem pra esta edição dos Jogos, mas conseguiram o ápice muito antes.''
A apresentação da equipe brasileira será no dia 26, às 13h30 (de Brasília).

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