Desde 1991, a seleção brasileira de beisebol infantil não ganha um título mundial. Dentre vários fatores, a desconcentração da colônia oriental que foi em peso viver no Japão como dekasseguis ''esfriou'' o esporte por terras tupiniquins. Com a missão de recolocar o Brasil entre os melhores do mundo, a seleção está concentrada em Londrina, nesta semana, treinando para o 27º Campeonato Mundial Nanshiki de Beisebol, que ocorre entre os próximos dias 25 e 27 de julho, na província de Edogawa, em Tóquio, no Japão.
Sob a batuta do técnico Paulo Nakashima, foram selecionados 14 jogadores durante a Taça Brasil, realizada no último final de semana, na Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel). O arremessador João Vitor Ayres, que defende a equipe de Marília (SP), foi eleito o melhor jogador da competição e tem junto dos colegas a responsabilidade de trazer novamente um título de campeão mundial para o Brasil. ''Gosto muito deste esporte e vou fazer o máximo para ajudar a equipe'', acredita. Também compõem a seleção os londrinenses Gabriel Hara e Tiago Kubo, além de atletas de Ibiúna, São Paulo e Tupã.
Segundo Nakashima, que há 40 anos é técnico de beisebol, a maior dificuldade que os brasileiros vão encontrar pela frente é o porte físico dos adversários. Representantes da China e Coréia do Sul - que inclusive são favoritos - e Estados Unidos costumam ser maiores, fato que dificulta a vida dos concorrentes. ''Esta é a quinta concentração do ano e eles estão num estágio de 70% do que quero chegar. Para jogar bem no mundial ainda falta atingir os 100%, mas o Brasil corre por fora na competição'', avalia.
Mas se depender de experiência, o técnico brasileiro tem de sobra. Conceituado e respeitado entre os adeptos do beisebol pelo estilo disciplinador, possui no currículo quatro títulos internacionais, como três Pan-Americanos (dois pela categoria júnior e um com a equipe Pré-Infantil) e um Sul-Americano Júnior. Liderando pela terceira vez a equipe infantil em mundiais, em 2003 conseguiu o melhor resultado, desde o início dos anos 90, levando o Brasil para a final contra o México.
''Agora vamos atrás de um título que ainda é inédito para mim como treinador de beisebol. Vou tentar passar tranquilidade para a garotada, mas o fato de ser um mundial realmente pesa na cabeça dos atletas. A experiência ajuda a amenizar a pressão para que se sintam no Japão como se jogassem aqui'', acredita Nakashima.
Outro detalhe importante que o técnico ressalta é que um título de respaldo internacional pode trazer novo fôlego para o esporte no Brasil. Segundo ele, a última conquista de renome veio há mais de sete anos e faturar o Campeonato Mundial, no Japão, se refletirá de maneira positiva sobre a colônia. ''Como os orientais com idade entre 60 e 70 anos são os que ainda gostam e conhecem beisebol, uma vitória pode colocar o esporte em evidência novamente'', aponta.
A chave do Brasil é considerada uma das mais difíceis por reunir seleções de tradição como Japão e China - que são considerados favoritos - além dos fortes norte-americanos.

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