La Plata - A final dos sonhos se transformou em pesadelo. Depois da eliminação da Argentina, no sábado, ontem, foi a vez do Brasil, atual bicampeão da Copa América, voltar para a casa. Com a displicência que vem se tornando marca da seleção brasileira nos últimos tempos, o time comandado por Mano Menezes perdeu nos pênaltis para o Paraguai, após empate em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Os quatro batedores brasileiros erraram suas cobranças, sendo que três chutaram para fora. Assim, o Brasil chuta para longe a chance do tricampeonato na casa da maior rival e vê a forma como o processo de renovação ser repensada.
O Brasil foi melhor durante toda a partida, mas esbarrou nas principais características desta seleção: excesso de firulas na hora de definir a jogada e a falta de um padrão de jogo.
A eliminação precoce marca além do treinador, a dupla santista Ganso e Neymar. Os dois chegaram como os dois grandes nomes desta seleção, o articulador e o decisivo, mas foram pífios.
A eliminação, entretanto, não deve abalar Mano Menezes. Em um ano no cargo, ele ainda não conseguiu vencer nenhum adversário expressivo. Na semana passada, a assessoria da CBF já havia divulgado que o resultado brasileiro no torneio não seria levado em conta para a permanência dele no cargo. Assim, segue firme sua proposta de trabalho até a Copa de 2014 no Brasil.
O jogo
O Paraguai tinha uma proposta clara de jogo: se fechar e tentar fazer um gol no contra-ataque. A marcação paraguaia era muito forte e o Brasil chegava apenas nos erros do rival. Foi assim que teve uma das melhores chances da primeira etapa. Veron saiu jogando errado e a bola sobrou para Robinho. Ele achou Neymar entrando livre na área, mas o santista chutou para fora, aos 26 minutos.
Seis minutos depois, o goleiro Villar fez milagre. André Santos cobrou falta na área, a bola passou por todo mundo e sobrou para Lúcio fuzilar à queima-roupa. O goleiro paraguaio salvou.
No segundo tempo, o panorama não mudou. O Brasil seguia pressionando, mas sem qualidade, quando conseguia chegar com perigo, parava em Villar, um monstro na partida. Quando conseguia passar por ele, algum zagueiro aparecia para salvar. Logo a 4 minutos a bola sobrou para Neymar dentro da área. Ele limpou o zagueiro e bateu. A bola já havia passado pelo goleiro Villar, mas Alcaraz conseguiu tirar.
Quando teve liberdade, Ganso acertou a trave. Aos 22 minutos, ele pegou um rebote na entrada da área, ajeitou e chutou. Villar tocou na bola e ela foi na trave esquerda. O Brasil seguia pressionando em busca do primeiro gol e o goleiro paraguaio fez outro milagre aos 27. Após cobrança de falta, a bola passou por todos na área e sobrou para Pato, que ajeitou com o peito e chutou cara a cara com Villar. O goleiro defendeu com o pé.
Aos 36, novamente Villar salvou o Paraguai. Robinho tocou para Alexandre Pato, que invadiu a área e chutou à queima roupa. O goleiro defendeu, a bola voltou para o brasileiro, que cabeceou para fora.
Mano só foi mexer no time quase no final da partida. Sacou Neymar para colocar Fred. Em seu primeiro lance, o jogador do Fluminense quase abriu o placar. Ele cabeceou e o zagueiro tirou em cima da linha.
Na prorrogação o panorama não mudou. No final, Mano colocou Elano em campo já pensando nas penalidades. E foi ele que abriu a série e mandou para muito longe. Barreto foi para a sua cobrança e também chutou para fora. Villar defendeu a cobrança de Thiago Silva. Estigarribia colocou o Paraguai em vantagem. André Santos copiou Elano e isolou. Riveros fez 2 a 0. Fechando as cobranças brasileiras, Fred chutou para longe a classificação. Paraguai nas semifinais. Mano e seus protegidos de volta para a casa. Já o Paraguai vai a Mendoza, para encarar a Venezuela - que bateu o Chile por 2 a 1, ontem -, pela semifinal.







EM LA PLATA

Brasil 0 (0)

Julio Cesar; Maicon, Lúcio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires e Ganso; Robinho, Neymar (Fred) e Pato (Elano). Técnico: Mano Menezes

Paraguai 0 (2)

Villar; Veron, Paulo da Silva, Alcaraz e Aureliano Torres (Mareco); Vera (Barreto), Cáceres, Riveros e Estigarríbia; Valdez e Lucas Barrios (Perez). Técnico: Gerardo Martino

Árbitro: Sergio Pezzota (ARG)
Estádio: Ciudad de La Plata
Expulsões: Lucas Leiva e Alcaraz

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