Seleção brasileira vive dúvida cruel
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Marceu Vieira<br> Agência O Globo 
Bergisch Gladbach - Adriano passou o dia, ontem, certo de que será titular no jogo de hoje contra Gana, pelas oitavas-de-final. Não abandonou a certeza nem quando o técnico Carlos Alberto Parreira, logo pela manhã, comunicou aos jogadores que só anunciaria o time à noite, depois do jantar e da exibição de um compacto das partidas da seleção africana na Copa.
Juninho, seu provável concorrente à vaga que talvez fosse de Robinho - caso o atacante do Real Madrid não se machucasse -, não teve a mesma certeza. Preferiu manter a frieza da véspera do confronto com o Japão. Treinou com ''disposição de titular'', mas sem se entregar a conjecturas, que, na hipótese de não ser o escolhido, segundo sua filosofia pessoal, poderiam abalar seu ânimo.
A preocupação do meia do Lyon, da França, e a crença do atacante do Inter de Milão, da Itália, tinham sentido. Gente que vive o dia a dia da concentração confirmou ontem que a dúvida entre tentar uma formação diferente ou pôr em campo o time que já havia escalado antes da Copa, com Adriano e Ronaldo no ataque, atormentaram ainda mais Parreira depois da lesão de Robinho.
A opção de pôr Juninho no meio e avançar Ronaldinho Gaúcho ou Kaká foi comentada entre os jogadores - embora o técnico não tenha falado abertamente nela nem em qualquer outra. Os dois prováveis candidatos a um lugar no time tiveram um dia tranquilo, cada um no seu estilo. Pela manhã, Juninho baixou na internet, em seu iPod, uma seleção de músicas baianas, seu gênero preferido. Adriano, mais extrovertido, foi o brincalhão de sempre e ouviu hip-hop e funk.
Na mesa comprida onde todos comem juntos na concentração do Castelo Lerbach, o atacante sentou numa ponta, enquanto o meia, mais quieto, ocupou um dos lugares mais para o lado oposto. À tarde, pouco antes do treino, já no campo, Juninho ficou numa roda com Cicinho, Júlio César, Ricardinho, Kaká, Roberto Carlos e Ronaldo, à espera do chamado do preparador físico Moracy Sant'Anna para o aquecimento. Adriano, sorridente, a uns dez metros, batia bola com Zé Roberto e Dida. O atacante fez o exercícios de alongamento com Zé Roberto. O meia, com o lateral Roberto Carlos.
Quando a bola rolou para a tradicional pelada das vésperas dos jogos, os dois, como sempre, jogaram pelo mesmo time de colete laranja (a divisão, arrumada pelos próprios jogadores, é igual desde os dias de pré-temporada em Weggis, na Suíça). Mas não tiveram sorte. Perderam de 7 a 1 para a equipe de Ronaldinho e Juan, comandada por Dida - que, no rachão, como eles chamam a brincadeira, atua na linha e, ontem, no papel de centroavante, fez até fez gol. Seja qual for o escolhido de Parreira, tomara que o eleito tenha mais sorte na partida contra Gana.


