Um gol marcado aos 48 minutos do segundo tempo pelo argentino Zabaleta decretou ontem a eliminação do Brasil no Mundial Sub-20, que está sendo disputado na Holanda. A consternação dos jogadores no gramado após o apito final do árbitro só não era maior que a dos familiares do principal jogador da equipe na competição o lateral-direito Rafinha, do Coritiba que acompanharam a partida pela tevê na casa da mãe do craque, dona Dete Pedro de Souza, 58 anos.
Ansiosos por mais um boa apresentação do caçula da família, os irmãos Marcelo, 26, Marcos, 29, e a irmã Mirian, 32, convidaram os amigos para acompanharem a decisão na casa da mãe, localizada em um bairro da Zona Norte de Londrina.
Como o jogo foi na hora do almoço, a família aproveitou para fazer churrasco enquanto a partida transcorria. Entre um petisco e um gole de cerveja, cada um dava o seu conselho a Rafinha: ''Sobe mais'', ''cruza na área'', ''vai pra cima dele...''. Porém, quando o atacante Messi soltou a bomba de fora da área e abriu o placar para a Argentina aos 7 minutos do primeiro tempo, o clima esfriou. Mas aos poucos o pessoal foi se tranquilizando e todos viram que o Brasil tinha condição de empatar o confronto.
Enquanto os rapazes não tiravam o olho na tevê, Mirian foi contando à reportagem um pouco da história de Rafinha. Caçula de uma família de sete filhos três homens e quatro mulheres Márcio Rafael Ferreira de Souza, 19, se criou no Conjunto Aquiles Stenghel, em Londrina, e começou a jogar futsal aos 5 anos no Grêmio Londrinense. Permaneceu no futsal até os 15 anos, quando começou a fazer experiências também no futebol de campo, passando por escolinhas de alguns clubes de expressão, como São Paulo e Juventus-SP, encaminhado pelo também londrinense Vágner, ex-volante que atuou no Tricolor paulista antes de se transferir para o Celta de Vigo.
''Não deu certo e o Rafinha acabou voltando para cá com uns 16 anos para jogar pelo PSTC e depois pelo Londrina, no juvenil. E do LEC ele foi levado para o Coritiba, onde se firmou de vez'', recorda Marcelo, que também é jogador e atua no futsal italiano. Segundo ele, Rafinha demorou a se definir somente pelo futebol, pois até o primeiro semestre de 2002 também jogava futsal junto com o outro irmão boleiro na equipe adulta de Londrina, que naquele ano disputou sua primeira Liga Nacional.
Mas na metade de 2002, quando o Coritiba o levou para integrar a equipe juvenil, Rafinha não teve mais dúvidas de que o seu futuro sairia dos gramados. ''O pessoal sempre dizia que ele (Rafinha) era bom de bola. Mas as coisas aconteceram tão rápido depois que ele foi para a seleção que a gente se surpreendeu'', disse Mirian.
Elogios Voltando ao clima da decisão na casa de dona Dete, o Brasil voltou melhor no segundo tempo e foi pra cima da Argentina. E após algumas chances perdidas e muito sofrimento entre os familiares, o grito de gol saiu aos 30 minutos, quando Renato empatou de cabeça para o Brasil. Dessa vez não foi gol de Rafinha, o artilheiro da seleção no Mundial e que havia decidido os últimos dois confrontos contra Síria e Alemanha. Mas antes, no intervalo, todos puderam ouvir o narrador Luciano do Valle, da Record, rasgar elogios ao lateral. ''É um jogador que já está com um pé na Europa'', dizia outra reportagem.
Pena que ao final do jogo não deu para comemorar. Dona Dete, ao menos, teve o consolo de que na próxima segunda-feira poderá rever o pupilo, que deverá passar uns dias de férias com a família em Londrina. ''Vi ele antes de ir para a Holanda, mas já estou morrendo de saudade do Rafa'', disse dona Dete.

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