A seleção brasileira masculina de vôlei completa esta semana a última fase de treinamento antes do embarque da delegação, amanhã, para a Europa, onde a equipe fará dois amistosos contra a Grécia e a primeira partida pela Liga Mundial, contra a Bulgária. Um dos maiores problemas do técnico Radamés Lattari Filho, que estréia no cargo, é o fato de 50% dos atletas da equipe ainda não terem acertado time para a temporada 1997/1998.
Dos 16 jogadores que estão treinando no Centro de Capacitação Física do Exército, no Rio, apenas 8 arrumaram clube. Marcelo, Max e Kid fecharam com o Report/Suzano; Carlão, Giba e Nalbert foram contratados pela Olympikus; Gílson transferiu-se para a Ulbra/Diadora; e Schwanke acertou com o Try On/Minas. Marcelo Negrão, Gustavo e Braz esperam a liberação da verba pela diretoria de marketing do Banespa, enquanto Ricardinho, Douglas, Itápolis, Paulão e Pinha estão no mercado.
O atacante Marcelo Negrão, um dos titulares da equipe campeã olímpica em Barcelona, em 1992, reclama das propostas financeiras feitas pelos clubes. ‘‘O que me ofereceram agora eu não ganhava nem mesmo quando ainda era juvenil’’, lembra o jogador, que foi procurado pelo Report/Suzano. ‘‘A coisa está realmente feia.
O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, admite que a situação do vôlei masculino não é a ideal. Ele acredita, porém, que aos poucos o esporte voltará à normalidade. ‘‘O masculino passa agora por problemas causados por salários irreais’’, acredita o dirigente, lembrando que alguns atletas ganharam cerca de R$ 500 mil na temporada passada. ‘‘Alguns patrocinadores deixaram o esporte assustados.
Graça conta que a CBV tomou medidas para evitar que problemas parecidos ocorram com o vôlei feminino. ‘‘Adotamos regras mais rígidas no ranking do feminino, justamente para evitar o leilão de jogadoras’’, explica. ‘‘Temos poucas atletas de alto nível e não poderíamos deixar que os salários ficassem muito inflacionados.
ReforçosDos times da Superliga, apenas Report/Suzano e Olympikus já contrataram todos os jogadores que poderiam, alcançando os 30 pontos permitidos pelas regras do ranqueamento de atletas. A Ulbra/Diadora também fez contratações importantes como a de Gílson e o Try On/Minas deixou o time mais competitivo. Além de renovar com os principais jogadores da temporada passada, a equipe mineira acertou com Schwanke (ex-Flamengo), Alexandre (Chapecó), Luciano e Miguel (Ulbra).

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