Agência Estado
Os portões do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República em Brasília, foram abertos ontem ao público durante visita da Seleção Brasileira de futebol ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Diante das cerca de 500 pessoas que se aglomeraram a poucos metros do palácio, o presidente e a primeira-dama Ruth Cardoso posaram para fotos ao lado dos jogadores e da comissão técnica. Com a ajuda de Ronaldo, Cafu e Dida, um sorridente Fernando Henrique aproveitou para erguer a taça da Copa América.
O presidente recebeu a Seleção pouco depois das 10 horas. ‘‘Essa medalha que vocês estão gentilmente entregando ao Brasil, pelas minhas mãos, na verdade pertence a vocês mesmos’’, disse Fernando Henrique, durante cerimônia de menos de dez minutos no interior do palácio. Ele destacou a disciplina, a garra e a solidariedade exigidas pelo esporte. ‘‘Às vezes a gente tem vontade de fazer bonito, mas é melhor passar para o outro, porque dá mais certo; vocês são um exemplo para o Brasil’’, concluiu o presidente.
A seguir, ele posou para as fotos e saiu à rua, sempre ao lado de Ronaldo, de quem ganhou uma camiseta da Seleção autografada por todos os jogadores. O público aguardava ansioso e ensaiou gritos como ‘‘Seleção, cadê você, eu vim aqui só pra te ver’’. Tão logo Fernando Henrique soltou a taça, após ter ficado com ela quase meio minuto nas mãos, foi impossível conter os fãs em busca de autógrafos dos bicampeões da América.
A entrada dos jogadores no ônibus foi bastante tumultuada, com muito empurra-empurra. Rivaldo, um dos artilheiros da Copa e autor de dois dos três gols brasileiros na final contra o Uruguai, correu alguns passos para escapar do tumulto. Nascido no Distrito Federal, o atacante Amoroso visitava o Palácio da Alvorada pela primeira vez e teve de interromper uma entrevista ao ser empurrado em meio à confusão.
Para o goleiro Dida, um dos mais assediados pelos torcedores, a disposição de Fernando Henrique em receber a Seleção com portões abertos não representou esforço para reverter os baixos índices de popularidade do governo. Dida, que segurou um pênalti contra a Argentina, disse não ter-se sentido usado politicamente e destacou que ‘‘é sempre bom poder estar perto do presidente’’.
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, afirmou que a iniciativa de ir a Brasília partiu da própria entidade. Segundo ele, a visita foi uma forma de agradecer a recepção calorosa de Fernando Henrique e da população brasiliense à equipe, no ano passado, após a derrota na final da Copa do Mundo.
A auxiliar de enfermagem Marilza Guimarães, de 47 anos, vestiu-se com as cores brasileiras dos pés à cabeça para recepcionar a seleção. ‘‘Tenho o maior orgulho de usar verde e amarelo’’, disse ela, com bandeirinhas do Brasil afixadas no rosto e nos brincos e unhas pintadas de amarelo. Torcedoras fervorosas da seleção, a aposentada Maria da Graça Dias e a estudante Karina Kassab ficaram mais impressionadas com o acesso livre ao Alvorada. ‘‘Meu sonho era pisar neste gramado’’, disse Karina, de 23 anos. ‘‘O que não faz uma popularidade em baixa’’, concluiu Maria da Graça.

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