Lima - A Argentina levou seu time principal. O Brasil foi com uma equipe B, mas tinha Adriano. Resultado: na final da Copa América, ontem, em Lima, com mais uma atuação decisiva do atacante, a seleção superou seu maior rival e, nos pênaltis, conquistou pela sétima vez o torneio continental. Aos 47 minutos do segundo tempo, quando o placar marcava 2 a 1 e a vitória dos argentinos parecia irreversível, Adriano empatou.
Nas penalidades, marcou de novo, abrindo caminho para a vitória por 4 a 2. Terminou como artilheiro da Copa América (sete gols), virou o principal goleador do País desde que o torneio adotou o atual formato, em 1989, e foi eleito o melhor da competição. ''Agradeço a Deus, a minha família e aos meus companheiros. (Ser campeão) é uma coisa inexplicável'', disse, visivelmente emocionado, o jogador de 22 anos, nascido no subúrbio do Rio e hoje titular da Inter de Milão.
Carlos Alberto Parreira ganhou o seu primeiro título na Copa América, até hoje seu calcanhar-de-aquiles. Dirigira o Brasil no vice de 1983 e em 1993, quando a seleção foi eliminada pela Argentina nas quartas-de-final.
O revés ampliou a crise dos argentinos, que não ganham um título de expressão há 11 anos, e torna ainda mais difícil a situação do técnico Marcelo Bielsa.
Embora, no sentido estrito, tenha sido a primeira decisão entre os dois na Copa América pois nas outras o torneio era em pontos corridos , foi a sexta vez que Brasil e Argentina entraram em campo na derradeira partida e a primeira em que os brasileiros levaram a melhor. Foi ainda a primeira vez que uma seleção conquistou a Copa América logo depois de ser campeã mundial.
O sétimo título diminuiu o fosso entre o Brasil e os dois maiores campeões do torneio Argentina e Uruguai, 14 conquistas cada.
O fim do jogo acabou honrando a rivalidade dos confrontos entre Brasil e Argentina. Ao comemorar o título, os brasileiros se sentiram vingados daquilo que consideraram um desrespeito por parte dos adversários. ''Eles quiseram fazer gracinha, pisar na bola, dançar. Não se brinca com o futebol brasileiro'', disse o técnico Parreira.
Quando fizeram o 2 a 1, aos 41 minutos, Tevez e D'Alessandro ensaiaram dribles na ponta esquerda, irritando a defesa brasileira, que se viu forçada a fazer faltas.
Depois, ao ver os rivais enfileirados para receber a medalha de prata com muitos deles, como o próprio Bielsa, tirando o prêmio do pescoço ao descer do palco da cerimônia , Parreira disse que a cena ''não tinha preço''.
Nos seis jogos no Peru, o Brasil venceu três (Chile, Costa Rica e México), empatou duas e perdeu uma (Paraguai). Os dois empates foram contra Uruguai e Argentina, mas, em ambas, venceu nos pênaltis.
Jogo Os argentinos saíram na frente no primeiro tempo com um gol de Kily González, de pênalti, e o Brasil conseguiu o empate no último minuto, com Luisão, de cabeça. Na etapa final, Delgado aproveitou falha da defesa brasileira e colocou a Argentina novamente em vantagem, mas, Adriano, no último minuto dos acréscimos, aproveitou uma sobra para levar a partida para os pênaltis.
Nas cobranças, Júlio César defendeu o pênalti de D'Alessandro e Heinze chutou por cima do gol, enquanto Kily González e Sorín acertaram. O Brasil aproveitou todas as cobranças, com Adriano, Edu, Diego e Juan.


EM LIMA

Brasil 2

Julio Cesar; Maicon, Juan, Luisão (Cris) e Gustavo Nery; Renato, Kléberson (Diego), Edu, Alex (Felipe); Luís Fabiano e Adriano. Técnico: Carlos Alberto Parreira

Argentina 2

Abbondanzieri; Coloccini, Ayala e Heinze; Zanetti, Mascherano, Sorín, Lucho González (D'Alessandro) e Rosales (Delgado); Tévez (Quiroga) e Killy González. Técnico: Marcelo Bielsa

Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Estádio: Nacional
Gols: Killy González aos 20 e Luisão aos 24 do 1º tempo; Delgado aos 41 e Adriano aos 47 do 2º tempo
Pênaltis: Adriano, Edu, Diego e Juan (Brasil); Killy González e Sorín (Argentina)

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