Seleção abre ano no centro das atenções
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Das Agências 
Dublin - A seleção brasileira começa hoje em Dublin, no amistoso contra a Irlanda, uma temporada cheia e em que não terá companhia para dividir os holofotes e a pressão. Em 2004, não haverá time olímpico ou mesmo sul-americanos e mundiais sub-17 e sub-20. Nada de eleição na CBF, como no ano passado. O Brasileiro de pontos corridos não é mais novidade.
Assim, Carlos Alberto Parreira e seus comandados estarão na boca dos torcedores e no alvo das críticas por praticamente todo o ano, que será repleto de atividades. Serão sete jogos pelas eliminatórias para o Mundial de 2006, a Copa América do Peru e pelo menos três amistosos um deles no badalado centenário da Fifa, em maio, contra a França.
''As dificuldades serão grandes, mas nada muito diferente do que está acostumada a Seleção Brasileira'', disse Parreira, que em 2003 comandou o time em 12 jogos. Agora, na temporada 2004, pode fazer quase 20 partidas.
O discurso do time é semelhante, mas alguns jogadores deixam escapar a preocupação pela temporada cheia. ''Espero que esse grupo entenda que a gente não pode sofrer nessas eliminatórias o que sofreu nas últimas'', comentou Roberto Carlos.
Em 2001, num ano também sem atividade do time olímpico, a seleção teve uma das temporadas mais dramáticas da sua história, penando para conseguir a classificação a Copa de 2002.
Para a seleção, mais do que a pressão, é o aperto no calendário que pode atrapalhar o time. ''Em quase todos os anos nós temos essa dificuldade das datas. Nunca temos tempo para treinar'', afirmou Ronaldinho, que volta ao time depois de cinco meses.
''A gente tem compromisso com os clubes e quer respeitar todos esses compromissos, mas o calendário não permite'', disse Ronaldo, prevendo problemas para casar os compromissos do Real Madrid com os da seleção.
Todos os astros do time principal lamentam o fracasso do time sub-23 no Pré-Olímpico do Chile. Caso o Brasil conseguisse a vaga em Atenas, os holofotes estariam divididos, mas o lamento maior é pelo fim da chance de ir à Grécia.
''É uma pena, porque era um sonho e isso fica adiado'', declarou Ronaldo. ''É um título que o Brasil não tem. Então fica a decepção de não poder disputar a Olimpíada'', afirmou Kaká, que foi proibido pelo Milan de ir ao Chile. Se o trio formado por ele, Ronaldinho e Ronaldo, que atua junto desde o início pela primeira vez, aprovar, Rivaldo pode perder a vaga.
''Essa é uma oportunidade de criar alternativas e antecipar as coisas'', disse Parreira sobre as possibilidades de Kaká.
Brasil e Irlanda já se enfrentaram três vezes, com duas vitórias para a seleção e uma para os europeus que sofreram para os rivais de hoje a maior goleada de sua história, 0 a 7, em 1982.
Após comandar apenas um treino no estádio Lansdowne Road, o técnico Carlos Alberto Parreira confirmou a escalação do inédito trio ofensivo Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. A maior dúvida era Kaká, que se apresentou à Seleção reclamando de dores na perna depois de ter levado uma pancada defendendo o Milan no empate em 1 a 1 com o Lecce, domingo.
Parreira confirmou também a entrada de Kleberson na vaga de Emerson, desconvocado a pedido da Roma. Com o corte também de Juninho Pernambucano, o jogador do Manchester United disputou a posição com Júlio Baptista, destaque do Sevilla no Campeonato Espanhol.
Na Irlanda, a principal ausência é o atacante Damien Duff, do Chelsea. O jogador sofreu uma lesão no tendão de Aquiles e foi cortado do amistoso.
Em Dublin
Irlanda
Shay Given; Gary Doherty, Kenny Cunningham, Andy O'Brien e John O'Shea; Kevin Kilbane, Kinsella, Holland e Kelly; Jason McAteer e Robbie Keane. Técnico: Brian Keer
Brasil
Dida; Cafu, Roque Júnior, Lúcio e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Kleberson, Zé Roberto e Ronaldinho Gaúcho; Kaká e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Árbitro: Anders Frisk (SUE)
Estádio: Lansdowne Road
Horário: 16h30 (de Brasília)


