Segurança na F-1 mudou após morte de Ayrton Senna
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terça-feira, 30 de abril de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Dia 1º de maio de 1994: há exatos oito anos, o mundo perdia Ayrton Senna. A Fórmula 1, um dos mais espetaculares pilotos de todos os tempos. Circuito da Catalunha, em Barcelona, domigo. Os pilotos prestes a iniciar a disputa do GP da Espanha agradecem as profundas melhorias de segurança introduzidas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) depois do acidente fatal de Senna, em Ímola, na Itália. Nesse aspecto, avançamos mais nesses últimos anos que em boa parte da história da competição, diz Michael Schumacher, atual campeão do mundo.
O que de mais importante ocorreu em seguida à morte de Senna foi a revisão de postura de todos diante da segurança, fala o médico-chefe da F-1, Sid Watkins. Hoje cada medida nova é fruto de estudos aprofundados, resultado da participação de lideranças das mais variadas áreas. O francês Rene Arnoux, contemporâneo de Senna na F-1, comenta que a perda de um mito como o brasileiro despertou todos e com certeza muitos pilotos não morreram depois porque a segurança da F-1 cresceu bastante. A F-1 convivia com situações como a de Christian Fittipaldi, em Monza (1993), que fez um looping a 300 km/h sem se ferir, e achou que os milagres continuariam acontecendo.
A perda de Senna teve consequências diretas para a melhoria da segurança da competição: o cockpit dos carros, por exemplo, já um ano mais tarde ao acidente na curva Tamburello, protegiam muito mais o piloto. As paredes laterais cresceram, escondendo os ombros e parte da cabeça, e os testes de resistência (crash test) assumiram valores bem mais elevados, bem como passaram a ser realizados em novas áreas da célula de sobrevivência. Sofri um grave acidente durante um teste da minha equipe (Ferrari), em 1995, na famosa curva 2 do circuito do Estoril, lembra Gerhard Berger, atual diretor da BMW. Não fosse a proteção lateral e o apoio traseiro para a cabeça, introduzidos naquele ano, a pancada poderia ter sido fatal também.
Já no GP seguinte à morte de Senna, em Mônaco, os pilotos decidiram recriar sua associação, a Grand Prix Drivers Association (GPDA), entidade ativa no atual grupo de estudos sobre segurança coordenado pelo doutor Watkins.


