Rio - Com medo do protesto da última quinta-feira - o maior e mais violento até agora no Rio de Janeiro desde o início das manifestações -, a Fifa manteve dentro do estádio do Maracanã, mesmo após o fim do jogo, os quase mil voluntários que trabalharam durante a goleada da Espanha sobre o Taiti por 10 a 0. Para a final da competição, neste domingo, a partir das 19 horas, pelo menos dois grandes protestos estão previstos para o entorno do estádio e a entidade deve ter de novamente "segurar" os voluntários dentro do Maracanã.
"Se existe algum risco, somos comunicados e então mantemos os voluntários no centro de voluntariado por um pouco mais de tempo", disse o gerente de voluntários do Comitê Organizador Local (COL), Rodrigo Hermida. "Não existe nenhum ataque direto aos voluntários, não têm acontecido, mas pedimos a eles para prolongarem a estada dentro do estádio. Fornecemos mais alimentação, claro, e quando temos um sinal verde da segurança, liberamos", completou.
Escalado pela Fifa para a entrevista coletiva, o voluntário indiano Omprakash Mundra, de 63 anos, confirmou ter ficado "preso" por um tempo no Maracanã na última quinta. "Meu telefone não funcionou bem", revelou, citando um problema que tem sido comum dentro dos estádios da Copa das Confederações. "Minha esposa me ligou umas quatro vezes querendo saber como eu estava por causa da manifestação e foi assim que fiquei sabendo. Quando saí do estádio, havia muitos policiais", contou o empresário, que desde os Jogos Olímpicos de Atenas, na Grécia, em 2004, roda o mundo como voluntário.

Idioma
O gerente do COL admitiu erro no sistema de seleção de voluntários, no que diz respeito à fluência em língua estrangeira. "Até por um erro meu, colocamos no questionário a pergunta 'Você fala inglês?' como opcional. Provavelmente, vamos tornar essa pergunta obrigatória na seleção para a Copa do Mundo", explicou Hermida, que não soube informar quantos dos 5.652 voluntários falam inglês - só 265 deles são estrangeiros.
Ao ouvir de um jornalista alemão sobre sua dificuldade para conseguir encontrar um voluntário que falasse inglês durante partida no Mineirão, Hermida respondeu: "O Brasil fala português". Mas aliviou depois. "Não quero ser grosseiro com isso, entendemos a necessidade dos estrangeiros. Criamos diversas vagas operacionais em que os requisitos incluíam fluência em inglês. Fico chateado por você não ter encontrado nenhum deles", afirmou.
No Mundial de 2014, serão 15 mil voluntários. Segundo o COL, 127.629 se inscreveram e o prazo já foi encerrado. Mas o COL estuda a possibilidade de permitir novas inscrições.

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