O responsável pela segurança na Copa do Mundo, Dominique Laporte, deu nota 9 para o esquema de segurança, apesar da violência dos hooligans ingleses e alemães. ‘‘Dou nota 9, pois mais de 2 milhões de pessoas que foram aos estádios sentiram-se seguras, enquanto tudo acontece ao mesmo tempo no país, e, apesar dos incidentes registrados em Lens e Marselha, tudo está ocorrendo muito bem’’, analisou.
Dominique Laporte reconheceu que os incidentes com os hooligans serviram de aprendizado. ‘‘Aumentamos o efetivo policial e ficamos mais atentos aos acessos às cidades, à maneira como eles circulam.’’
Há 20 anos trabalhando no Ministério do Interior do país anfitrião do Mundial, todas as informações sobre essa delicada questão passam por suas mãos. Ele afirma que o esquema de segurança não será modificado. ‘‘Não queremos pôr o exército nas ruas, já que a maioria dos torcedores são de bem e não podemos amedrontá-los.’’
Para ele, os hooligans são pessoas estúpidas, sem cultura, que buscam apenas a violência. ‘‘Visualmente, a maioria deles tem cabelo curto, fez tatuagens e está sempre alcoolizada’’, descreveu. ‘‘Além disso, eles sempre estão em grupo e nunca sozinhos.’’
Segundo Laporte, muitos também se drogam com cocaína, ecstasy e anfetaminas, principalmente, mas o álcool serve como ‘‘energia’’. ‘‘Os hooligans tentam não parar de beber, começam pela manhã e ficam até à noite, sem nenhum tipo de controle.’’ Além disso, explicou que o comportamento dessa facção está diretamente ligado aos esportes de massa. ‘‘No vôlei, por exemplo, eles não agem, pois usam a popularidade do futebol para desenvolver a violência.’’
Laporte diferenciou a violência registrada nos campos franceses com os hooligans. ‘‘Aqui há violência, mas é diferente, é mais ou menos como na Itália, onde os torcedores não saem premeditados a cometer atos violentos e não agem alcoolizados ou em grupos.’’ Para conter a ação dos hooligans, o oficial do Ministério do Interior disse que há duas saídas: mantê-los em seu país de origem, em cooperação internacional, ou barrá-los na fronteira. ‘‘Os mais conhecidos, que têm capacidade de persuadir os outros, podem ser facilmente identificados.’’
Antes do Mundial, a preocupação estava centralizada em três questões: onde, quando e como. ‘‘Sabíamos em quais jogos poderíamos ter algum tipo de problema e sempre nos preocupamos com o comportamento deles antes e depois das partidas, nunca durante.’’
Quanto ao comportamento da torcida brasileira, Laporte não poupou elogios. ‘‘Acompanhei-a durante o jogo contra a Escócia e constatei uma imagem de festa, com muita música’’, comentou. ‘‘Definitivamente, os brasileiros vieram para ver futebol.’’
O Ministério do Interior divulgou ontem os números do desempenho de seu corpo operacional, relativo aos jogos já disputados: houve 750 apreensões, dos quais 16 torcedores foram expulsos da França e 82 foram julgados. Desses, 44 foram condenados.

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