Segundona terá árbitros catarinenses
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A segunda fase da Série Prata do Campeonato Paranaense terá arbitragem catarinense, do quadro nacional de árbitros. A partir de agora a Federação Paranaense de Futebol (FPF) terá o menor vínculo possível na escolha dos profissionais do apito nas partidas organizadas pela entidade. Esse é o resumo da entrevista coletiva concedida ontem na sede da FPF, pelo presidente Onaireves Moura, acompanhado dos membros da Comissão Provisória de Arbitragem no Estado, formada por Paulo César Silva, Dilon Valdrigues e Henrique Mehl.
O anúncio de Moura acontece após as denúncias de corrupção na arbitragem da Série Prata: há três semanas, o então presidente do Operário Ferroviário, de Ponta Grossa, Silvio Gubert, acabou explicando um esquema de manipulação de resultados nos jogos da Série Prata sem saber que estava sendo gravado por uma emissora de televisão nacional.
De acordo com Gubert, uma pessoa identificada como ''Bruxo'' combinava valores a partir de R$ 2 mil entre dirigentes e árbitros para ''confeccionar'' o placar dos duelos da Segundona estadual. Mais tarde, Gubert chegou a desmentir e se disse alvo de erro de interpretação na edição do material, mas o árbitro José Francisco de Oliveira, conhecido como Cidão, confirmou o esquema de Londres, onde vive atualmente.
''Entendemos que é necessário pedir apoio à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para auxiliar nesse caso. Então, o Armando Marques (presidente da Comissão de Arbitragem da CBF) ofereceu quatro árbitros catarinenses do quadro nacional'', explicou ontem Moura. Hoje serão sorteados dois dos quatro escolhidos: Paulo Henrique de Godói, Jefferson Schmidt, João Acácio da Rocha e João Fernando da Silva. Todos os árbitros que apitaram este ano na Série Prata estão afastados até o término da investigação do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD).
Moura, que atribuiu as denúncias de corrupção na arbitragem à briga política entre o Sindicato dos Árbitros do Paraná e a Associação Profissional dos Árbitros do Paraná (Apaf), afirmou também que haverá mudanças na escolha dos árbitros. A partir de agora, a FPF ''lava as mãos'' e terá somente o ouvidor José Roberto Hagbock como mediador nos sorteios. O presidente da FPF propôs que ex-árbitros, árbitros e dirigentes escolham os profissionais de confiança para apitar as próximas competições.
Investigação Enquanto Moura ''lava as mãos'' da arbitragem no Estado, o auditor do TJD, Octacílio Sacerdote Filho, afirmou que o prazo da conclusão da investigação do suposto esquema de corrupção na arbitragem deve ser prorrogado por mais 15 dias. ''Mas em mais uma semana tudo deve estar concluído'', adiantou ontem à tarde.
Até agora, 11 pessoas ligadas à FPF e à antiga Comissão de Arbitragem da FPF foram convocadas para depor, das quais oito compareceram. ''Por enquanto ninguém vai falar que participa de esquema nenhum. Vamos ouvir mais algumas pessoas, mandei um e-mail para o Cidão (o árbitro José Francisco de Oliveira) e estou aguardando a resposta'', explicou o auditor. Ele também já enviou requerimento à FPF pedindo as contas telefônicas da entidade e dos celulares dos diretores, para averiguar quantas vezes alguns dos nomes que poderiam estar envolvidos foram contatados este ano.


