A conquista do 27º título estadual do Corinthians em plena Vila tem tudo a ver com a reação da Fiel após a eliminação da Libertadores contra o Boca, quarta-feira no Pacaembu. Aquela histórica, vibrante e longa aclamação que o time recebeu, mesmo saindo de campo "derrotado", não foi um mero acaso. Não foi simples demonstração de paixão. Na alma de
cada um daqueles 30 e muitos mil corintianos havia a certeza de que - besteiras de Amarilla à parte - o fim
do sonho de conquistar outra vez a América e o mundo fora, apenas e tão somente, acidente de percurso.
Dito e feito. O Corinthians entrou em campo ontem como se nada tivesse acontecido durante a semana. Aos que temiam o abalo psicológico, nada de cabeça baixa, a resposta foi a frieza de sempre, o mesmo jogo pragmático que Tite tem imposto desde que assumiu o comando. O título paulista, aliás, completa o ciclo de vitórias do treinador: Mundial, Libertadores, Brasileirão e Paulistão. Melhor currículo impossível – poderia ser para ele o refrão campeão dos campeões, que saiu do hino para a capa desta edição do LANCE!.
A finalíssima da Vila foi mais do que um bom jogo decisivo. Quebrou um tabu - o Santos não perdia um título em casa desde 1932. Impediu um feito inédito, o tetracampeonato paulista do Peixe. E, acima de tudo, pode ter marcado, para os dois times, o fim de uma era. De um lado, a era Neymar - a Joia que está cada vez mais com a cabeça e os pés do outro lado do Atlântico. E do outro - por que não? - a era Paulinho o motor desse time campeão, que deve tomar o mesmo rumo para a Europa. São peças-chaves, quase insubstituíveis.
O Corinthians, da mesma forma que poderia ter matado a decisão no primeiro jogo, vencendo por mais do que 2 a 1 no Pacaembu, poderia ter carimbado a faixa com outra vitória. Foi mais incisivo, acertou a trave de Rafael duas vezes em menos de três minutos ainda no primeiro tempo e perdeu pelo menos dois gols claros com Romarinho e Pato frente a frente com o goleiro santista. Mas o empate bastou. E a bem da verdade pouco foi ameaçado pelo Santos - de um mediano Neymar - que, mesmo abrindo o placar, nunca pressionou Cássio com a contundência de que precisava. E, sendo assim, só podia dar Timão.

Imagem ilustrativa da imagem SEGUNDA FINAL - FORÇA FIEL
| Foto: IVAN STORTI
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