Seguindo os caminhos do pai
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2010
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Qual o pai que não queria ver o filho seguindo seus passos, tendo sucesso na mesma profissão que ele? Mal a criança nasce e os planos já começam. Em boa parte das vezes, elas se concretizam. Médicos, advogados, dentistas, engenheiros aproveitam o espelho do pai para seguirem a trilha profissional do progenitor. No esporte não é diferente. Muita gente que brilhou nos campos, quadras, pistas e piscinas viu os herdeiros seguirem o mesmo caminho.
Alguns dos sucessores não tiveram o mesmo sucesso. Que o diga o atual homem-forte do futebol do Flamengo, o ex-jogador Zico. O maior ídolo do Rubro-Negro até que tentou fazer de seu filho caçula, Thiago, um jogador de futebol, mas logo ficou provado que o talento não estava entre itens que herdou do pai.
Por falar em camisa dez, o maior deles viu o filho ser titular do Santos. Edinho, no entanto, optou por evitar gols, ao contrário do pai, que fez mais de mil. O filho de Pelé foi o camisa 1 do Peixe no vice-campeonato brasileiro em 1995.
Goleador, Cláudio Adão também não conseguiu passar o faro de gol e sua técnica para o filho Felipe, que também é atacante, mas não conseguiu se firmar em um time grande.
Na Copa do Mundo da África do Sul, entretanto, foi comprovado um exemplo de sucesso. Eleito melhor jogador do torneio, o uruguaio Diego Forlán encheu de orgulho o pai, Pablo Forlán, ex-lateral do São Paulo e da seleção uruguaia.
Nas quadras de basquete, o técnico do Vivo/Franca Hélio Rubens é só orgulho do filho Helinho, tanto por suas atuações nos clubes como na seleção brasileira.
Nas pistas, os exemplos são inúmeros. O inglês Damon Hill e o canadense Jacques Villeneuve não desapontaram os pais e conquistaram o Mundial de Fórmula 1, assim como seus inspiradores, Graham Hill e Gilles Villeneuve, respectivamente.
No Brasil, ninguém melhor do que a família Fittipaldi para exemplificar. O pai, Wilson, foi um dos precursores do automobilismo no Brasil e teve a honra de narrar a primeira conquista brasileira na Fórmula 1. Dentro do cockpit estava justamente seu filho Émerson, que dois anos depois se tornou bicampeão da principal categoria do automobilismo mundial. Wilson Fittipaldi, o outro filho, também pilotou um F-1 e depois viu o filho Christian correr na mesma categoria. Outro exemplo nem tanto de sucesso foi o sobrenome Piquet. O pai, Nelson, foi tricampeão mundial de F-1, já o filho Nelsinho...
Seja qual for a modalidade, a comparação entre pai e filho é inevitável. Quanto mais destaque o progenitor teve, maior é a expectativa de que o herdeiro faça sucesso. Certo? ''Com certeza. Meu pai conquistou praticamente tudo sem sua carreira chegando à seleção brasileira e também sendo campeão mundial de clubes (pelo Flamengo). Hoje, eu sou consciente que conquistar o que ele ganhou é dificílimo, mas estou seguindo o meu caminho alcançando minhas próprias conquistas'', afirmou o zagueiro Neto, que atua no futebol tailândês.
O londrinense fala com propriedade sobre o assunto. Afinal, carrega um peso e tanto nas costas: é filho do ex-zagueiro do Londrina e do Flamengo, Marinho, que, como ele mesmo falou, ganhou tudo como jogador.
Neto, porém, tira de letra as comparações e tenta extrair ao máximo a vivência do pai. ''É uma relação excelente. Hoje trocamos ideias, conversamos sobre todas as situações que envolve o futebol. Posso dizer com todo orgulho que tenho o melhor conselheiro para meu ajudar e isso dentro da minha casa'', disse o zagueiro, que também é conselheiro do pai assim como no refrão da música Lodeando, de Marcelo D2: ''Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai.''
Dos gramados para as quadras, a relação paterna é direta na Unopar Londrina/Sercomtel, onde o técnico Giancarlos Ramirez comanda o filho Raul. ''Eu curto muito, é gratificante. Mas não forcei ele a nada. Foi escolha dele jogar handebol'', frisou Ramirez, ressaltando que o filho não tem privilégios no time. ''Se tiver bem vai jogar, do contrário não. Ali dentro, torço para que vá bem, mas tem que fazer a parte dele''.
Raul entende o recado e sabe que não jogará somente porque é filho do técnico. ''Dentro de quadra sou só mais um atleta'', disse o jogador de 20 anos.
Os dois têm até uma história de cumplicidade interessante. Em 2006, Ramirez havia desistido de trabalhar com a equipe sub-17, mas decidiu disputar seu último paranaense porque também era o último do filho na categoria. Fizeram um pacto pelo título e ele veio. ''Foi emocionante'', resumiram.


