Rio - Em apenas quatro dias, Seedorf já teve a dimensão do frenesi que sua chegada gerou nos torcedores do Botafogo e da importância da contratação de um estrangeiro da elite do futebol para o Brasil. Desembarque apoteótico na sexta-feira, apresentação eufórica para a torcida no sábado e entrevista coletiva pomposa nesta segunda, no Palácio da Cidade, sede do governo municipal do Rio. Tudo isso deixa o meia holandês muito consciente da responsabilidade que tem sobre os ombros.
Seedorf chega a um clube que não ganha um título nacional desde o Brasileirão de 1995 e se mostra atento à ansiedade da torcida botafoguense para colocar fim ao jejum. Experiente e supercampeão, o meia de 36 anos se diz preparado para lidar com tanta expectativa que o cerca.
''Não me preocupo com a pressão. Em todos os clubes que eu joguei havia a responsabilidade de ganhar títulos importantes. Isso faz parte da minha vida, foi sempre assim'', disse o astro, com um domínio do português incomum até mesmo para os jogadores brasileiros.
A palavra mais repetida pelo novo camisa 10 botafoguense na entrevista foi ''sonhar''. Segundo ele, é preciso que os torcedores sonhem com a conquista do Brasileirão e, quem sabe, da Libertadores. Mas ele se diz avesso a promessas de título. ''Não é correto eu garantir que vamos ser campeões. O que posso prometer é me dedicar 100% nos treinamentos e nos jogos. Se o título vier, não vai ser uma conquista só do Seedorf, mas de todo um trabalho. Eu apenas espero que minha chegada melhore o time'', avisou.
Mas o holandês mostrou muita confiança. ''Minha principal qualidade é ser um sonhador. E por onde passei eu realizei meus sonhos'', lembrou o meia, referindo-se aos quatro títulos da Liga do Campeões da Europa e aos dois do Mundial que conquistou, além dos campeonatos nacionais - jogou no Ajax, Real Madrid e Milan (neste último, passou 10 temporadas).
Seedorf ainda ganhou incentivo e cobrança adicionais ao ser cumprimentado pelo ex-atacante Amarildo, que brilhou no Botafogo e foi campeão mundial de 1962 com a seleção brasileira. O ''Possesso'' compareceu à entrevista coletiva e deu um forte abraço no homem que chega para honrar a tradição de grandes ídolos de General Severiano. ''O Botafogo é o Glorioso. Que ele tenha as mesmas glórias que conquistou por onde passou'', disse Amarildo, que também jogou no Milan.
Nascido no Suriname, mas naturalizado holandês, o craque destacou suas ligações com o Brasil. Brincou com a amizade com antigos companheiros brasileiros, em particular com Roberto Carlos, com quem atuou no Real Madrid. Foi com o lateral que começou a aprender o português. ''Dividi o quarto com ele durante quatro anos. Nunca vi ninguém falar tanto'', lembrou.
Tendo crescido no país vizinho, Seedorf contou que seu pai tinha especial admiração pelo futebol brasileiro e que colocou em seu quarto fotos de times do Flamengo, Fluminense e Botafogo. ''Quando tinha 10 anos chorei com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo (de 1986)'', relembrou. ''No Suriname, se torce para a Holanda e para o Brasil'', completou o meia, se dizendo muito feliz com o carinho recebido. Mas ele mesmo faz o alerta. ''Isso tudo é muito bonito, mas só vai durar se eu for bem dentro de campo. A festa acabou. Amanhã (terça-feira) começa o trabalho duro.''

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