Seedorf chega ao Corinthians e chama elenco de 'leão ferido'
Técnico negou que tenha chegado para blindar a diretoria em meio à crise política do clube
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Técnico negou que tenha chegado para blindar a diretoria em meio à crise política do clube

O novo técnico do Corinthians, o holandês Clarence Seedorf, de 50 anos, chegou ao clube nesta quarta-feira (14) e falou sobre a fase ruim da equipe. Goleado pelo Palmeiras por 4 a 1, o Timão acumula oito derrotas consecutivas e luta contra o rebaixamento. Para o treinador, o elenco corintiano, que conquistou a Copa do Brasil e a Supercopa do Brasil há alguns meses, é um "leão ferido".
"(O elenco) é um leão ferido, que está machucado, e precisam dessa ajuda para se ajustar emocionalmente. Quando os jogadores têm momentos de 'explosão' é porque eles se importam com o que está acontecendo. Prefiro um jogador que 'exploda' do que um que fique igual, mas o grupo precisa demonstrar, não com palavras, mas com ações em campo, que respeita esse clube e os torcedores", afirmou. "Quanto ao leão ferido, quem está de frente tem que ter cuidado", seguiu.
A carreira de Seedorf como treinador é modesta em comparação com sua trajetória como jogador. Ele comandou Milan, Shenzhen, da China, Deportivo La Coruña, da Espanha, e a seleção de Camarões, seu último trabalho à beira do campo, em 2019. Desde então, atuava como comentarista.
Como jogador, porém, o holandês construiu uma carreira vitoriosa e conquistou cinco títulos da Liga dos Campeões, além de campeonatos nacionais na Espanha, na Itália e na Holanda. No Brasil, defendeu o Botafogo, clube pelo qual se destacou e teve contato com o futebol brasileiro, além de enfrentar o Corinthians.
O treinador também pediu o apoio dos torcedores neste momento de dificuldade e destacou a importância de o elenco recuperar a confiança.
"Tenho certeza de que, com os torcedores, podemos criar um ambiente diferente. Na minha vinda, eu falei antes: vivi isso contra o Corinthians e sei o que é jogar contra o Corinthians, conheço o ambiente que se cria aqui. Só peço um pouco de respeito, porque um grupo que não ganha é formado por atletas que não entram em campo para perder. Ninguém entra para perder. Todos trabalham, tentam de novo, mas, às vezes, não funciona. É claro que cada um faz o seu trabalho, mas o trabalho neste clube precisa criar condições melhores para que esse grupo possa voltar a mostrar o talento que tem", declarou.
Seedorf também comentou o cenário político do Corinthians e negou que tenha chegado para servir de escudo à diretoria. A gestão alvinegra enfrenta críticas de torcedores e jogadores, além de questionamentos relacionados ao atraso no pagamento de salários.
"Não sei nada sobre esses problemas e não vim aqui para falar de política. Assumi um projeto, uma visão que tem a ver com o campo. Passei por esses momentos várias vezes, em alguns dos maiores clubes do mundo, e a solução é uma só, que é fechar o grupo e ir a campo trabalhar. Deixar vocês falarem com as pessoas que precisam resolver essas questões. Se tivermos que nos preocupar com coisas que não controlamos, será inútil", afirmou.
O treinador acrescentou que os problemas extracampo não podem desviar a atenção da equipe da preparação para os jogos.
"Respeito os defeitos de cada clube. Pode haver problemas, e vários clubes do mundo passam por momentos ruins e complicados, inclusive na política. Barcelona, Real Madrid, todos passam por isso. Mas o jogo continua, o dia a dia continua. Então, precisamos separar as coisas. Uma situação não pode interferir na outra. Temos que focar no trabalho técnico, tático, mental e físico para preparar os jogos e sermos competitivos", concluiu.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


