Milão - Clarence Seedorf pode considerar-se um sujeito de sorte. Com 35 anos completados na última sexta-feira, não é mentira que tem mercado favorável e em alta, numa fase em que normalmente deveria preparar-se para a aposentadoria. A vida seguia em marcha lenta até o clássico do último sábado contra a Internazionale e antes de ser revelado o interesse de Ronaldo de levá-lo para o Corinthians. A excelente atuação nos 3 a 0 contra a rival local e o poder de sedução do ex-colega famoso fizeram com que o holandês nascido no Suriname se tornasse alvo de atenções. E saísse valorizado.
Não foi por acaso que nesta quarta-feira a direção do Milan deixou escapar a indiscrição de que pretende propor prorrogação de mais um ano de contrato para Seedorf. O término do compromisso atual coincide com o fim da temporada e há vontade de que continue no clube de Silvio Berlusconi. A cotação dele aumentou com a perspectiva de Gattuso ir para a Rússia, ganhar dinheiro ao lado de Roberto Carlos, e com a lenta recuperação de Pirlo.
Seedorf trata de lidar com habilidade diante dessas alternativas. Age com tato, da mesma forma como desliza em campo, com toques suaves na bola. A intenção é não queimar-se com ninguém, deixar portas abertas. Seja para ficar ou para sair.
Por isso, driblou o quanto pôde o assédio da imprensa que foi ao treino em Milanello, subúrbio em que está o centro esportivo do clube, a 50 quilômetros de Milão e onde moram vários jogadores. Sorrisos daqui e dali, acenos para torcedores e ''arrivederci'' (até logo). Saiu mudo. Ou quase. Em entrevista à RedeTV!, admitiu ter mantido contato com Ronaldo, velho amigo que agora se lança na carreira de empresário.
''Estou conversando (com Ronaldo), mas são contatos iniciais'', admitiu o astro que desde 2002 faz parte do elenco do Milan. ''Minha atenção no momento é o Campeonato Italiano e sei que há outras propostas'', adiantou. ''Amo o Brasil e espero um dia jogar lá'', arriscou o jogador que é casado com uma brasileira.

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