Apesar dos alardes de que um batalhão estaria interessado em arrematar a sede campestre do Londrina, ainda não foi dessa vez que o espaço, abandonado pela diretoria do clube, foi vendido. Assim, a esperança é de que no novo leilão, previsto para ocorrer em março, os mais de 90 mil metros quadrados do terreno sejam negociados.
A pequena sala disponibilizada por um hotel da cidade para abrigar o leilão ficou pequena diante de tantas pessoas interessadas em acompanhá-lo. O problema é que quase todos estavam lá mais como curiosos do que propriamente candidatos a compradores. Conselheiros, sócios, ex-dirigentes. Gente que ajudou a construir e gente que ajudou a afundar o clube.
O leilão foi aberto pouco depois das 14 horas. O terreno foi avaliado em R$ 3,2 milhões, mas em cima da hora a Justiça Trabalhista autorizou que os lances se iniciassem em R$ 2.240.000. Nem assim alguém ousou levantar o braço para oferecer o valor. O leiloeiro Antonio Costa, então, deixou o público à vontade na esperança de aparecer um interessado. Virou uma feira livre, com todos colocando o papo em dia. Depois de quase duas horas um empresário de Ourinhos-SP, mandou a proposta: R$ 1,8 milhão. Ela foi prontamente recusada. ''É muito baixa, não compensa nem levar para o juiz'', descartou o leiloeiro. ''A ideia era fazer um empreendimento imobiliário, mas faltaram R$ 400 mil'', lamentou João Loyola, que prometeu voltar no próximo leilão.
O leiloeiro Antonio Costa acredita que o terreno seja arrematado no próximo leilão e por um valor maior. ''Fim de ano é mais difícil. O povo está preocupado em comprar presente de Natal'', brincou.
Alguns sócios questionaram a legitimidade do leilão. Outros questionaram o parcelamento oferecido a quem comprar - 40% de entrada e o restante em 15 prestações.
Quem também deu o ar da graça foi o ex-lateral Jackson, que é dono de 30 mil metros quadrados, que corresponde a 25% da área total da Sede Campestre, que é de 120 mil metros quadrados. Ele ganhou essa área como pagamento em uma ação trabalhista. Jackson autou no Tubarão em 1995 e ainda é dono de mais 4 mil metros quadrados que estão na penhora judicial. ''É uma pena o clube perder a sede e estar nessa situação'', lamentou.
A determinação do leilão foi do juiz Reginaldo Melhado, da 6Vara do Trabalho. Com uma parte do dinheiro, ele espera quitar a dívida trabalhista do clube, avaliada em 4,5 milhões - com os acordos com os credores, ela deve ser paga com um terço do montante - e o restante do dinheiro ser usado para pagar as dívidas deixadas neste último ano, tanto com funcionários e jogadores, como com fornecedores e prestadores de serviço.
Na semana que vem é possível que Melhado se pronuncie sobre as eleições para a nova direção do clube. O juiz suspendeu o pleito por tempo indeterminado por falta de lisura no processo eleitoral.

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