Sebastian Coe sugere reformas no esporte do Brasil
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sábado, 11 de agosto de 2012
Jamil Chade <br> Agência Estado 
Londres - Se o Brasil quiser repetir em 2016 o sucesso de medalhas que a Grã-Bretanha teve em sua casa neste ano terá que fazer uma reforma profunda no seu esporte. Mas, acima de tudo, precisará começar a criar entidades esportivas que sejam ''bem administradas e por pessoas inteligentes''. O alerta é de Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, que não disfarça a satisfação de ver seu país ocupar, como anfitrião, o terceiro lugar no quadro de medalhas.
Os britânicos já comemoraram o melhor resultado em Jogos Olímpicos desde 1908, quando Londres também foi sede, e estão abaixo apenas das superpotências Estados Unidos e China no ranking de medalhas. Questionado sobre qual seria o segredo para o sucesso e como o Brasil poderia fazer para atingir o mesma campanha em 2016, Coe apontou para uma estratégia baseada em quatro pontos. ''O primeiro é ter entidades esportivas bem administradas e por pessoas inteligentes'', disse o cartola inglês, medalhista de ouro no atletismo em Moscou/1980 e Los Angeles/1984.
Em Londres, a imprensa internacional não disfarça o desconforto com a delegação brasileira que está apresentando os Jogos de 2016, pressionando para saber o orçamento do evento no Brasil, até hoje secreto, e insistindo em conhecer qual a estratégia do País para melhorar o desempenho olímpico. Os jornalistas estrangeiros também têm elevado as críticas em torno da gestão do esporte brasileiro, apontando para os casos do envolvimento de João Havelange em subornos.
Mas Coe alerta que só uma boa estrutura de governança do esporte não é suficiente para o sucesso olímpico. ''Precisam da melhor safra de talentos possível. Mas, para que haja um resultado em 2016, imagino que essa safra já tenha de estar sendo colhida agora, para que possam se preparar para os próximos quatro anos'', alertou o dirigente inglês.
Outro ponto fundamental, segundo ele, é a garantia de recursos ''estáveis e previsíveis'' para investir no esporte. ''Isso é essencial, inclusive para criar um sentimento de tranquilidade'', disse Coe. E o governo federal promete que, assim que terminar os Jogos de Londres, vai anunciar um novo pacote de recursos para o esporte brasileiro.
No Reino Unido, o governo multiplicou por cinco os investimentos no esporte em apenas 12 anos. O resultado foi ver o número de medalhas olímpicas dobrar. Agora, com a crise econômica que atinge a Europa, atletas britânicos que saíram com ouro em Londres já alertam o governo inglês de que não é hora de interromper a ajuda.
Coe, para completar, alerta que um país que queira ser potência olímpica precisa ainda contar com ''treinadores de ponta''. ''Ou se tem essa classe de treinadores ou é melhor não ter nada. Não há zona intermediária'', avisou o dirigente. ''Se um país seguir isso, terá resultados'', completou, desmontando a tese de que a explosão de medalhas seja sorte, mágica ou até mesmo da força da torcida local.


