Se sair, saio de cabeça erguida
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segunda-feira, 20 de março de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
O técnico Vica tentou implantar seu profissionalismo e sua cartilha no Londrina. Não conseguiu. Porém, os resultados em campo não vieram e hoje deve formalizar seu desligamento do Tubarão.
Em tom de despedida, ele falou à Folha ontem. Veja trechos da entrevista.
Folha: Qual sua avaliação desse período no LEC?
Vica: Em termos de trabalho é positiva, agora, em relação a resultados mais expressivos, não. Nós tivemos uma chance na Copa do Brasil e não conseguimos, tivemos a primeira fase de classificação, aí sim conseguimos. Chegar mais adiante, Copa do Brasil, Série C, isso não foi possível. Mas tenho certeza que se sair, saio de cabeça erguida porque tentei fazer o melhor possível. Acho que chegamos no limite.
Folha: Você acha que conseguiu tirar tudo do time?
Vica: Em vários jogos eu tirei o máximo. Em outros jogos, deixaram a desejar. Nós deixamos a desejar, dentro da dificuldade que encontramos na montagem do time, com muitos jogadores se recusando a jogar no Londrina, mas tentamos fazer o melhor. Eu saio de consciência tranquila.
Folha: Qual foi o erro?
Vica: Não vejo erros. Se tivéssemos uma melhor condição na montagem do time, eu acho que poderia ser diferente. Nem manter a base da Série C foi possível. Os altos e baixos da equipe dentro da competição foram fundamentais para a gente não passar pelo Rio Branco, que teve uma regularidade bem maior dentro do campeonato. A nossa equipe não conseguiu esse equilíbrio. Nós começamos o campeonato bastante desacreditados, queríamos buscar a vaga entre os quatro e depois buscar passo a passo. Eu acho que chegamos onde poderíamos chegar. Para passar dali teria que ter um algo mais e faltou.
Folha: Você ficou frustrado com alguma coisa?
Vica: Fiquei decepcionado. Eu estava pensando no título. Até conversei com o Gilberto Pereira (técnico da Adap) um dia antes e falei: vamos fazer a final. Mesmo sabendo das dificuldades tinha que passar essa confiança e disse aos jogadores durante várias semanas que eu confiava mais neles do que eles próprios.
Folha: O Marconato disse que haviam alguns problemas internos e que jogadores não aceitavam as cobranças.
Vica: Se ele sentiu isso dentro de campo, ele tem que assumir o que está falando. Eu não classifico só os jogadores jovens que sentiram. Porque os jovens tiveram bons momentos e maus momentos. Os jogadores experientes também. Eu não vou aqui cruficicar um ou outro.
Folha: Você teve problema com alguém?
Vica: Não.
Folha: Teve muita especulação com relação ao Donizete.
Vica: Nunca tive problema. Meu relacionamento com ele é muito bom.
Folha: Você está magoado com alguma coisa?
Vica: Hoje, não. Nem no passado. Pode ser que fique daqui pra frente.
Folha: O que aconteceu durante a semana não chateou você?
Vica: Fiquei chateado com a saída do Souza (auxiliar-técnico). Mas não foi a diretoria que determinou sua saída. É uma pessoa que conheci aqui e estava me ajudando muito. Fiquei chateado por ele não estar junto comigo.
Folha: Você pensou em sair alguma vez?
Vica: Não.
Folha: Você acha que foi ''fritado''?
Vica: Eu não senti isso. Mas muita gente começou a dar a desclassificação já na semana passada, especulando sobre mudança na comissão técnica. Não gostaria de comentar o negócio do Itamar. Depois eu posso falar o que houve, esse negócio todo de a diretoria ter o Itamar aqui. Eu sei porque foi colocado tudo isso. Não foi a diretoria que levou a gente para a Fazenda Ferraz. Foi um pedido meu.
Folha: Você continua no clube?
Vica: Não sei.


