Scolari testa seu poder de nacionalismo
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sábado, 10 de junho de 2006
Folhapress 
Konigstein - Na estréia na Copa, Portugal testa o poder de seu nacionalismo, reinventado, segundo os próprios portugueses, pelo estrangeiro Luiz Felipe Scolari. Horas antes do jogo com Angola, às 16 horas, em Colônia, o treinador tentará motivar os seus atletas com um vídeo inspirado no hino português.
E o adversário parece ter sido encomendado pelo técnico. Colônia de Portugal por 400 anos que obteve sua independência só em 1975, Angola remete o país que Scolari defende ao passado. Além disso, o jogo tem o tempero mais saboroso para o brasileiro: a rivalidade.
Na última vez em que os dois países jogaram, em 2001, em Lisboa, a partida foi encerrada após cinco expulsões dos angolanos, que perdiam por 5 a 1. A violência saiu do campo e gerou tumulto nas arquibancadas. E era só um amistoso.
Nada que assuste Scolari, que ganhou fama por sua performance, em alguns casos teatral, em tumultuados Grêmio x Inter e Corinthians x Palmeiras. ''Neste momento, temos que trabalhar a parte psicológica, até porque é impossível fazer grandes mudanças táticas e técnicas nos últimos dias antes de uma estréia'', declarou.
Como fazia com os torcedores dos clubes brasileiros comandados por ele, Scolari inflamou Portugal às vésperas da Copa. Convidou-os a mandar mensagens de incentivo aos jogadores. Um canal de TV exibe em seus intervalos os recados. ''Aconteça o que acontecer na Copa, o Felipão já entrou para a nossa história por resgatar o orgulho do português por sua pátria'', afirma Gilberto Madail, presidente da federação local.
Quase sempre que fala de seu treinador, o cartola lembra que, depois dele, os torcedores passaram a decorar as janelas de suas casas com a bandeira de Portugal durante os torneios. Porém o clima não é de lua-de-mel entre o brasileiro e a federação. Houve uma rusga na reta final da preparação quando os ingleses tentaram contratá-lo para dirigir sua seleção.
Certo de que Scolari receberá propostas mais altas, Madail diz que, ''se a meta não for cumprida'', o contrato do treinador não será renovado após a Copa. ''Com ele, nos acostumamos a comer filé e não queremos mais o arroz com feijão.''
Scolari, que defende o título mundial conquistado em 2002 com o Brasil, já entrou mesmo para a história. Na semana passada, completou 27 partidas invicto à frente da seleção, recorde na equipe portuguesa. Agora, tenta quebrar a sina do país de coadjuvante em Mundiais. Nas três Copas de sua história, sua melhor posição foi o terceiro lugar, na Inglaterra-66.
O símbolo maior de sua renovação em Portugal é o meia Deco. Brasileiro naturalizado português, é um dos principais jogadores do Barcelona e também um dos mais badalados do mundo. Apesar de uma lesão na coxa durante a semana, jogará hoje com seus companheiros, que durante a semana levaram dura do chefe por não se esforçarem nos treinos.
Estreante em Mundiais, Angola foi a maior surpresa das Eliminatórias africanas, desbancando a forte Nigéria. Porém, a fraca campanha na Copa da África deste ano e derrotas nos três últimos amistosos Argentina (2 a 0), Turquia (3 a 2) e Estados Unidos (1 a 0) tiraram a confiança dos jogadores. Nas casas de apostas britânicas, a equipe é vista como a maior zebra da competição. Os palpites estão em 402 por 1. O Brasil é o maior favorito (5 por 2).
ANGOLA
João Ricardo; Locó, Jamba, Kali e Marco Airosa; André, Zé Kalanga, Figueiredo e Mendonça; Mateus e Akwa. Técnico: Luis Gonçalves de Oliveira
PORTUGAL
Ricardo; Miguel, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Nuno Valente; Costinha, Maniche, Figo e Deco; Cristiano Ronaldo e Pauleta. Técnico: Luiz Felipe Scolari
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Estádio: Rhein Energie, em Colônia
Horário: 16 horas


