Scolari reafirma decisão de deixar Palmeiras
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 26 (AE) - O clássico contra o Corinthians, amanhã à tarde no Morumbi, deve mesmo ser um dos últimos de Luiz Felipe Scolari como técnico do Palmeiras. Hoje, pela manhã, após o treino na Academia da Barra Funda, o treinador ratificou a posição de ir embora do clube no fim do contrato, no meio do ano. "Vocês terão muita saudade de mim", disse Scolari para os repórteres. "Vai embora um técnico que dá muita manchete para os jornais."
Scolari, que já ganhou a Libertadores como treinador do Grêmio em 1995, vai usar sua experiência na competição sul-americana para tentar dar o título ao Palmeiras. "Mas não fui contratado, há quase dois anos, com a obrigação de ganhar a Libertadores", avisa. "Não sou um especialista na competição como falam."
A semana no Palmeiras começou tumultuada. Logo após a vitória, de virada, sobre o São Raimundo por 3 a 1, domingo no Palestra Itália, pela Copa do Brasil, o treinador divulgou uma lista com os nomes dos jogadores, que, por relaxamento, estavam acima do peso normal. Alguns atletas como Paulo Nunes e Zinho não aprovaram a atitude do treinador, entendendo que o assunto teria de ser discutido internamente. "Se eles estivessem em forma, o Palmeiras teria jogador melhor", respondeu Scolari.
Na quarta-feira, o treinador agitou ainda mais o clube ao declarar que não fica mais no Palmeiras, após o fim do contrato. O técnico garante que seu comportamento não vai beneficiar o adversário. "Não entendo porque tanta repercussão numa declaração normal", diz. "No Grêmio anunciei minha saída três meses antes, e mantive a posição mesmo depois da conquista do Brasileiro." Scolari, lembra que foi demitido apenas uma vez
no Juventude, em 1982, no início da carreira, garante que não vai mudar seu estilo de trabalho.
"Sou exigente, cobro resultados e jamais admito indisciplina", ressalta o técnico, que vive reclamando com os repórteres do tipo de cobertura que a maioria dos jornais faz do Palmeiras. "Foi assim que ganhei muitos títulos, por isso não mudo." O técnico, que ganhou nove competições nos anos 90, igualando-se a Wanderley Luxemburgo, e apenas um atrás do líder Telê Santana, não leva em consideração o fato de o Palmeiras contar com oito jogadores que participaram de Libertadores. Ele também não acha que o clássico desta tarde será decisivo. "É claro que a vitória dá impulso muito grande para se conseguir a classificação", diz. "Mas não quero fazer do jogo uma guerra."


