O técnico Luiz Felipe Scolari resolveu ‘patrocinar’ a torcida do Palmeiras para que o Estádio Palestra Itália fique cheio na partida de hoje, contra o Flamengo. O time precisa de uma vitória para reverter a vantagem da equipe carioca, que venceu no Rio por 2 a 1. O jogo define quem disputará com o Botafogo uma vaga na final da Copa do Brasil. A outra vaga será disputada por Internacional e Juventude.
Ontem à tarde, Scolari comprou cem ingressos e distribuiu a metade para os torcedores que foram ao treino e o restante para instituições de caridade. ‘‘Vou pagar o bicho para a torcida’’, comentou, prometendo distribuir o dobro de ingressos para os torcedores apoiarem a equipe no jogo decisivo contra o River Plate, quarta-feira, pelas semifinais da Taça Libertadores da América. ‘‘A presença da torcida é muito importante nos momentos em que o time precisa de uma força maior para superar todas as dificuldades’’, disse o treinador.
Scolari quer que os palmeirenses compreendam o sacrifício a que os jogadores estão sendo exigidos. Ele observou que nenhuma outra equipe jogou tanto em tão pouco tempo (40 jogos em 120 dias) e fez um agradecimento especial aos jogadores. ‘‘Eles estão com o espírito que eu sempre busquei desde que cheguei ao Palmeiras’’, destacou, comparando o atual momento psicológico da equipe ao auge do Grêmio sob o seu comando. ‘‘Estou orgulhoso de todos eles, e, mesmo se o time perder, os jogadores podem contar comigo pelo resto da vida.’’
Por trás da gratidão do treinador está a intenção de desviar a tensão criada pela derrota por 1 a 0 para o River Plate, em Buenos Aires, e manter a confiança dos atletas na semana que pode levar o Palmeiras ao céu ou ao inferno. Os jogos contra o Flamengo, hoje, Matonense, domingo, e River Plate, quarta-feira, vão definir o sucesso ou o fracasso do Palmeiras na Copa do Brasil, Campeonato Paulista e Libertadores. ‘‘Os jogadores podem ficar tranquilos; se o time fraquejar agora, terá sido por minha culpa’’, adiantou Felipão. ‘‘Se o Palmeiras morrer, todos nós vamos morrer abraçados.’’
Romário melhorou muito da contusão sofrida quarta-feira, em jogo com o Friburguense, pelo Campeonato Carioca, e deve jogar contra o Palmeiras. Ele fez ultra-sonografia pela manhã e o exame não acusou nenhuma lesão muscular. ‘‘Jogar de dois em dois dias é sempre um sacrifício’’, disse, negando, no entanto, que não esteja em boas condições para enfrentar o Palmeiras.
O adversário de hoje, na avaliação de Romário, é o mais difícil para o Flamengo em 1999. ‘‘O Palmeiras joga duro, mas é leal.’’ Sobre o possível cansaço do Alviverde, que quarta-feira enfrentou o River Plate, pela Taça Libertadores, Romário declarou que o desgaste faz parte da vida dos atletas.


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