São Paulo, 24 (AE) - O técnico Luiz Felipe Scolari começou hoje a contagem regressiva para deixar o Palmeiras. Seu contrato com o clube termina no fim do maio, que poderá ser prorrogado por um mês, caso o Alviverde esteja participando de alguns jogos decisivos da Taça Libertadores da América ou outra competição. Após esse prazo, o treinador afirmou que irá embora do Palmeiras
em caráter irrevogável. Scolari ressaltou que essa posição não é incompatibilidade com o presidente do clube, Mustapha Contursi. "Não há problema algum com a diretoria", afirmou o técnico. "Simplesmente, vou embora no fim do meu contrato, porque pretendo assumir outros compromissos profissionais."
A dois dias da estréia do Palmeiras na Libertadores, contra o Corinthians, sábado, no Morumbi, o treinador disse que não está preocupado com esse tipo de declaração, que pode causar intranquilidade entre os jogadores ou até forçar a diretoria a começar a pensar na contratação de um outro treinador ainda durante a competição sul-americana. "Estou avisando agora, porque se o Palmeiras perder a Libertadores, vão dizer que estou indo embora, por causa do resultado", esclarece. "Portanto, ganhando ou perdendo não pretendo renovar meu contrato com o Palmeiras."
O treinador disse ainda que não vai se revoltar se os dirigentes do clube e da Parmalat, patrocinadora do Alviverde, pensar na contratação imediata de um outro treinador, visando um trabalho no início da Libertadores para a temporada. Nesse caso, Scolari disse que pode até antecipar sua saída do clube. "De minha parte não há problema nenhum", afirmou.
Scolari foi contratado pela multinacional no início de junho de 1997. Na época, o treinador estava no Jubilo Iwata, do Japão. Ele assinou um contrato por dois anos, mas com prioridade para continuar pelo menos por mais uma temporada. Em 1997, ele decidiu o Brasileiro com o Vasco, perdendo o título para o clube carioca. No ano passado, o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil, garantindo sua participação na Libertadores, e a Copa Mercosul. O treinador, com apoio da Parmalat, montou a equipe para esta temporada, que visa como prioridade, o semestre, a Libertadores.
A empresa contratou Rivarola, César Sampaio, Jackson e Evair, que faziam parte da lista de reforços do treinador. Mas embora Scolari não admita publicamente, ele não mantém um bom relacionamento com o presidente do clube, que chegou até a proibir o time de treinar no Parque Antártica, alegando que os palavrões do treinador e dos jogadores durante os treinos incomodam os sócios, que caminham em dias de sol nas arquibancadas do Palestra Itália.
O treinador também ficou revoltado com a diretoria do Palmeiras, que acertou a estréia do time no Torneio Rio-São Paulo contra o Vasco com a maioria dos principais jogadores do elenco ainda em férias. O último incidente foi a contratação do goleiro Adinam, do União São João de Araras, sem a aprovação de Scolari, na mesma época em que Velloso estava com dificuldade para renovar seu contrato com o clube. Posteriormente, a diretoria desfez a negociação com o União São João, alegando que Adinam teria exigido muito dinheiro para jogar no Palmeiras. Os dirigentes acabaram acertando a renovação de contrato com Velloso por seis meses.
Independentemente desse problema envolvendo Scolari, a equipe do Palmeiras está pronta para enfrentar o Corinthians. O treinador deve adotar o esquema 3-5-2. Assim, o time terá três zagueiros, com Roque Júnior no lugar de Rogério. Evair deverá mesmo ganhar a posição de Oseas.

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