Scolari pode deixar o Palmeiras
Agência Folha
De São Paulo
Às vésperas de decidir o Rio-São Paulo, o técnico Luiz Felipe Scolari disse que pode deixar o clube antes do fim de seu contrato, em dezembro. A motivação foi a saída de Gianni Grisendi da presidência da Parmalat para a América Latina. Fiquei muito chateado com a saída do (Gianni) Grisendi. Isso me fez pensar sobre continuar no Palmeiras. Vou tomar uma decisão e anunciarei nos próximos dias, declarou Scolari.
A diretoria do clube não quis se pronunciar sobre a declaração. Vamos esperar terminar o contrato para discutir isso, afirmou o diretor de futebol, Sebastião Lapolla.
Com o fim a era Parmalat, que romperá o contrato de co-gestão em dezembro, ficaria insustentável a permanência de Scolari no comando do Palmeiras, pois ele teria que se subordinar diretamente ao presidente do clube, Mustafá Contursi, com quem não mantém bom relacionamento.
A primeira desavença entre eles aconteceu apenas dois meses depois da contratação de Scolari. Em agosto de 1997, frequentadores do Parque Antarctica se queixaram dos palavrões e dos modos dos jogadores e de Scolari durante treinos.
Contursi proibiu o acesso do grupo às piscinas do clube e restringiu os treinos no campo. Scolari resolveu não treinar somente no CT da Barra Funda.
Outros episódios estremeceram ainda mais a relação. Contursi recusou pedido de Scolari para que a grama do Parque Antarctica fosse molhada antes dos jogos. Depois, Contursi ordenou que o Palmeiras fosse a campo na final da Copa Mercosul-98, contra o Cruzeiro, com camisas verdes, contra a vontade do técnico.
No ano passado, o presidente contratou, sem consultar Scolari, o goleiro Adinam e o lateral-esquerdo Leo. As contratações teriam sido o estopim para a decisão do treinador de anunciar pela primeira vez que não ficaria mais no clube após o término de seu contrato, que expiraria em junho de 1999.
Mas com o crescimento do time em campo, Scolari superou a desconfiança geral no início de seu trabalho e ganhou status de maior ídolo da torcida palmeirense. Veio o título da Libertadores e o técnico decidiu voltar atrás e renovou o contrato por um ano e meio.





