Scolari elogia estilo solidário do Palmeiras
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 28 (AE) - Luiz Felipe Scolari passou a tarde de ontem no ginásio da Academia de Futebol auxiliando os jovens jogadores do Palmeiras a acertar os movimentos de domínio de bola, passes curtos e finalização. A paciência com os garotos recém-saídos do time de juniores revela o lado "professor" do técnico. Aos poucos, ele vai moldando uma equipe ainda em estado bruto. O novo time do Palmeiras ainda não chegou ao padrão desejado pelo seu mestre e já chega a uma decisão com boas possibilidades de conquistar o título do Rio-São Paulo.
O Palmeiras à moda Scolari trocou a técnica refinada pela solidariedade. O gol marcado pelo atacante Pena na vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, sábado, no Maracanã, simboliza o estilo rústico da equipe. Para aproveitar o cruzamento de Euller, Pena atirou-se na bola dividindo a jogada com o lateral Gilberto para desviá-la para o gol.
"A gente tem de tentar o gol na força, na vontade", resume Pena. "O torcedor compra ingresso para ver o time ganhar e o nosso trabalho em campo é dar todo o sangue por uma vitória do Palmeiras." Essa nova filosofia enche de orgulho Scolari. Ele está satisfeito com a aplicação dos atuais jogadores do Palmeiras, Pena, Basílio e Argel.
Acha que a disposição dos atletas é o segredo para a equipe ter superado o Vasco e suas estrelas no início do confronto pelo título do Rio-São Paulo. "É raro no futebol de hoje o jogador ser tão aplicado assim", comenta Scolari. "Depois que começa a fazer sucesso e aparecer na mídia, ele esquece a maneira como jogava e perde todo o trabalho que fez." Ao treinador, cabe manter o atleta sempre alerta para não se deixar levar pela fama repentina. É o que ele procura fazer com o meia Alex, o jogador mais técnico e, também, o mais valorizado da equipe.
Alex tem muita confiança no novo elenco do Palmeiras. "No começo do ano, pouca gente acreditava que, com este time, conseguiríamos ir longe, e agora estamos na decisão", diz Alex. O goleiro Marcos e o zagueiro Argel, que discutiram na partida de sábado, depois que o segundo tentou uma jogada arriscada dentro da área, já fizeram as pazes. "Só mostrei ao Marcos que tenho confiança naquilo que faço", explica Argel.
CASA CHEIA - Os jogadores esperam que a torcida compareça em grande número ao jogo de quarta-feira à noite, no Morumbi. Apesar de o estádio do São Paulo não deixar o público tão perto do campo, como acontece no Palestra Itália, os palmeirenses acham que um incentivo vindo das arquibancadas pode ser de grande ajuda para a equipe conquistar o título do Rio-São Paulo.
"O gramado extenso do Morumbi facilita o nosso trabalho de velocidade", argumenta o atacante Euller. "A nossa casa é o Palestra Itália", acrescenta Alex. "O torcedor costuma reclamar que o Morumbi é longe, mas este incentivo será fundamental para a gente conquistar o título e começar bem o ano." Um empate dará ao Palmeiras a conquista do Rio-São Paulo.


