Enfrentar o Boca Juniors, da Argentina, na decisão da Taça Libertadores da América será melhor do que jogar contra o América, do México. Essa é a opinião do técnico Luiz Felipe Scolari e da maioria dos jogadores do Palmeiras. Apesar da pressão que o time brasileiro deverá sentir no Estádio La Bombonera, em Buenos Aires, na primeira partida da final, confirmada para quarta-feira, Scolari disse que o Palmeiras poderia ter mais problemas se tivesse de enfrentar os mexicanos.
‘‘A altitude da Cidade do México (2.240 metros acima do nível do mar) poderia ser decisiva’’, disse Scolari, que assistiu ao jogo, pela televisão, entre Boca Juniors e América ao lado dos atletas que estavam concentrados para enfrentar o ABC, de Natal, ontem, no Palestra Itália, pela Copa do Brasil. ‘‘Torcemos pelo Boca.’’
Na avaliação do treinador palmeirense, o time argentino sentiu a altitude da Cidade do México, por isso perdeu a partida por 3 a 1, mas conseguiu a classificação, porque havia ganho o primeiro jogo em Buenos Aires por 4 a 1. ‘‘Deu para perceber no jogo no México que um tiro de meta põe a bola na área do adversário’’, observou o treinador. ‘‘Os mexicanos estão habituados a jogar nessa altitude; por isso, correm mais e tocam a bola com facilidade.’’
A confirmação do Boca Juniors como adversário na decisão da Libertadores não vai exigir cuidados especiais da diretoria e do treinador do Palmeiras. A única providência do clube deverá ser a viagem na véspera do jogo em vôo fretado. O treinador não gosta de chegar ao país no dia do jogo, muito menos com muita antecedência. ‘‘Se fosse no México, teríamos de tomar outros cuidados, como alimentação especial e um tempo para adatação à altitude’’, explicou Scolari. ‘‘Na Argentina, tudo bem.’’
Quanto à possível pressão no La Bombonera, o treinador disse que seu time, embora tenha passado por reformulação no fim do ano passado, já adquiriu certa experiência contra adversários sul-americanos. ‘‘Pressão de torcida não ganha jogo’’, afirmou o treinador palmeirense. ‘‘Não entra em campo, muito menos faz gols.’’
Ao analisar a equipe do Boca Juniors, Scolari destacou o futebol do meia Riquelme. ‘‘Ele é um excelente jogador, o articulador do esquema do Boca, e precisa ser bem marcado’’, disse.
Roque Júnior – Os jogadores Júnior e Roque Júnior também consideraram um bom negócio para o Palmeiras escapar da altitude da Cidade do México. Roque Júnior, cujo passe deverá mesmo ser comprado pelo Milan, da Itália, por US$ 16 milhões, nunca enfrentou o Boca Juniors e não conhece o La Bombonera. ‘‘Mas acho que não haverá problema’’, disse o zagueiro, que não quer falar, por enquanto, da possível transferência para o futebol italiano. ‘‘Quero me concentrar na decisão da Libertadores.’’
O procurador do jogador, o ex-lateral-direito Cláudio, afirmou ontem que entre as diretorias do Milan e do Parma, que tem prioridade na compra do passe do zagueiro, está tudo acertado. O Parma, segundo Cláudio, abriu mão da contratação do atleta, dando condição ao Milan de comprar o passe do zagueiro. O empresário garantiu que o assunto será dicutido com Roque Júnior após a decisão da Libertadores.
Discussão – A briga entre Scolari e Wanderley Luxemburgo, da Seleção, teve mais um episódio ontem. ‘‘Ele pode ficar tranquilo, que eu não quero seu cargo na seleção’’, afirmou o treinador do Alviverde. ‘‘Não quero e nem preciso.’’ O treinador palmeirense disse que durante uma semana ficou com esse desabafo ‘‘engasgado’’ na garganta. ‘‘Se ele tiver também com alguma coisa engasgada a meu respeito, que ponha para fora.’’

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