Scolari diz não temer 'La Bombonera'
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quinta-feira, 08 de junho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Enfrentar o Boca Juniors, da Argentina, na decisão da Taça Libertadores da América será melhor do que jogar contra o América, do México. Essa é a opinião do técnico Luiz Felipe Scolari e da maioria dos jogadores do Palmeiras. Apesar da pressão que o time brasileiro deverá sentir no Estádio La Bombonera, em Buenos Aires, na primeira partida da final, confirmada para quarta-feira, Scolari disse que o Palmeiras poderia ter mais problemas se tivesse de enfrentar os mexicanos.
A altitude da Cidade do México (2.240 metros acima do nível do mar) poderia ser decisiva, disse Scolari, que assistiu ao jogo, pela televisão, entre Boca Juniors e América ao lado dos atletas que estavam concentrados para enfrentar o ABC, de Natal, ontem, no Palestra Itália, pela Copa do Brasil. Torcemos pelo Boca.
Na avaliação do treinador palmeirense, o time argentino sentiu a altitude da Cidade do México, por isso perdeu a partida por 3 a 1, mas conseguiu a classificação, porque havia ganho o primeiro jogo em Buenos Aires por 4 a 1. Deu para perceber no jogo no México que um tiro de meta põe a bola na área do adversário, observou o treinador. Os mexicanos estão habituados a jogar nessa altitude; por isso, correm mais e tocam a bola com facilidade.
A confirmação do Boca Juniors como adversário na decisão da Libertadores não vai exigir cuidados especiais da diretoria e do treinador do Palmeiras. A única providência do clube deverá ser a viagem na véspera do jogo em vôo fretado. O treinador não gosta de chegar ao país no dia do jogo, muito menos com muita antecedência. Se fosse no México, teríamos de tomar outros cuidados, como alimentação especial e um tempo para adatação à altitude, explicou Scolari. Na Argentina, tudo bem.
Quanto à possível pressão no La Bombonera, o treinador disse que seu time, embora tenha passado por reformulação no fim do ano passado, já adquiriu certa experiência contra adversários sul-americanos. Pressão de torcida não ganha jogo, afirmou o treinador palmeirense. Não entra em campo, muito menos faz gols.
Ao analisar a equipe do Boca Juniors, Scolari destacou o futebol do meia Riquelme. Ele é um excelente jogador, o articulador do esquema do Boca, e precisa ser bem marcado, disse.
Roque Júnior Os jogadores Júnior e Roque Júnior também consideraram um bom negócio para o Palmeiras escapar da altitude da Cidade do México. Roque Júnior, cujo passe deverá mesmo ser comprado pelo Milan, da Itália, por US$ 16 milhões, nunca enfrentou o Boca Juniors e não conhece o La Bombonera. Mas acho que não haverá problema, disse o zagueiro, que não quer falar, por enquanto, da possível transferência para o futebol italiano. Quero me concentrar na decisão da Libertadores.
O procurador do jogador, o ex-lateral-direito Cláudio, afirmou ontem que entre as diretorias do Milan e do Parma, que tem prioridade na compra do passe do zagueiro, está tudo acertado. O Parma, segundo Cláudio, abriu mão da contratação do atleta, dando condição ao Milan de comprar o passe do zagueiro. O empresário garantiu que o assunto será dicutido com Roque Júnior após a decisão da Libertadores.
Discussão A briga entre Scolari e Wanderley Luxemburgo, da Seleção, teve mais um episódio ontem. Ele pode ficar tranquilo, que eu não quero seu cargo na seleção, afirmou o treinador do Alviverde. Não quero e nem preciso. O treinador palmeirense disse que durante uma semana ficou com esse desabafo engasgado na garganta. Se ele tiver também com alguma coisa engasgada a meu respeito, que ponha para fora.


