Scolari critica Luxemburgo e PM: 'Não vou mudar meu jeito'
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quarta-feira, 07 de junho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O técnico Luiz Felipe Scolari acabou ontem sua lei de silêncio ao voltar a falar com a imprensa, um dia após a classificação do Palmeiras para a final, pela segunda vez consecutiva, da Taça Libertadores da América, ao vencer o Corinthians, anteontem à noite, no Morumbi. Hoje o time volta a campo com uma formação reserva para enfrentar o ABC, pela Copa do Brasil (veja texto e ficha técnica na página 2).
Bem ao seu estilo, sem deixar de responder a nenhuma pergunta, o treinador criticou o comando do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar, que considerou o gesto do treinador, mostrando uma banana para a torcida do Corinthians, no fim do jogo, como um dos motivos que incitaram a revolta dos torcedores.
A crítica do treinador foi dirigida ao subcomandante do 2º Batalhão de Choque da PM, major Marinho, o primeiro a manifestar-se contra o treinador. O major Marinho tem de cuidar do policiamento nos estádios, que, aliás, está muito bom, afirmou Scolari. Mas ele está aparecendo demais, dando muitas entrevistas.
Scolari afirmou que considerou seu gesto normal, como sempre faz em jogos decisivos. O Palmeiras não me contratou porque sou o melhor treinador do Brasil, é porque eu vibro, jogo com o meu time, e não vou mudar o meu jeito.
Scolari não poupou nem o treinador da seleção, Wanderley Luxemburgo, que criticou o teor da reunião que Scolari teve com os jogadores na semana passada. Luxemburgo já trabalhou aqui no Palmeiras, eu sei como era sua conversa com os jogadores, afirmou Scolari. Muitos integrantes da sua comissão técnica, nos tempos do Palmeiras, trabalham agora comigo, e se ele quiser a gente pode lembrar como eram suas palestras no clube, disse.
Quanto à classificação do Palmeiras, Scolari disse que teve para o Palmeiras uma satisfação especial. Tirar o Corinthians da final da Libertadores é o mesmo que ser campeão, afirmou o técnico. Esse prazer de ganhar a Libertadores, o nosso maior rival não terá agora. Para o treinador do Palmeiras foi a maior emoção da sua carreira.
O goleiro Marcos, um dos grandes responsáveis pela classificação do Palmeiras na Libertadores, ao defender o pênalti decisivo chutado por Marcelinho, disse que lamenta a situação do atacante adversário. Ele precisa entender que os maiores jogadores do mundo já perderam pênalti, lembrou o goleiro, que não quis entrar em detalhes sobre sua defesa no momento do chute. Foi uma emoção muito grande, mas eu também não gostaria de estar na condição dos meus companheiros na hora de cobrar os pênaltis, porque do outro estava o lado o Dida.
A classificação do Palmeiras sobre o Corinthians fez com que o atacante Euller pedisse desculpas para a torcida do Santos. Ao marcar o segundo gol do Palmeiras na partida de domingo, no Morumbi, pelas semifinais do Paulista, o atacante comemorou como se estivesse fisgando um peixe, numa referência à baleia, símbolo do time da Vila Belmiro. Peço desculpas aos torcedores, não tive a intenção de provocar o adversário, disse o atacante.
Já o lateral-esquerdo Júnior, que provocou a torcida adversária no fim da cobrança dos pênaltis, imaginando com os braços um gavião (símbolo da torcida adversária) levantando vôo, disse, ainda no campo, que a classificação do Palmeiras ocorreu de uma maneira especial. Com Marcelinho perdendo o último pênalti, afirmou o lateral, que geralmente se desentende em campo com o atacante.
Provamos que tínhamos condição de ganhar, apesar do favoritismo que era dado ao adversário, afirmou Galeano, que marcou o gol da vitória do Palmeiras. Já o meia Alex, autor de um bonito gol, o segundo do Palmeiras, afirmou que não teve a intenção de chutar a bola daquele jeito. Minha intenção era chutar forte. A comissão técnica do Palmeiras vai definir hoje a programação do Palmeiras até a o primeiro jogo da decisão da Libertadores, que ocorrerá quarta-feira no campo do adversário.


